Ómicron. Como os países mudam a estratégia no (des)controlo da pandemia

Aumento de casos levou alguns países a reforçar restrições, mas muitos outros a levantá-las

Inês Dias
Inglaterra levantou restrições© EPA/ANDY RAIN

Com a incidência e o número de infeções por SARS-CoV-2 a atingir números recorde devido à variante Ómicron, os países dividem-se na estratégia a adotar perante a evolução da pandemia. Se uns países tomam novas medidas restritivas na tentativa de controlo da pandemia, alguns outros decidiram uma estratégia diferente e optaram por proceder ao levantamento de restrições.

Dinamarca

A partir de 1 de fevereiro, a Dinamarca vai eliminar todas as restrições impostas na quarta vaga da pandemia, apesar do número recorde de contágios. Devido ao menor risco da variante Ómicron e ao elevado número de imunizados, a covid-19 vai deixar de ser considerada uma doença "crítica" para a sociedade. As medidas atuais vão ser extintas e deixarão de ser usadas máscaras em espaços fechados, desaparecerão as restrições nos restaurantes, na vida cultural e social, e as discotecas reabrirão. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, considerou um "marco" e uma "transição" para uma nova fase sem restrições.

Áustria

A Áustria vai tornar-se o primeiro país da União Europeia a adotar a vacinação obrigatória para todos os adultos. Esta nova medida entrará em vigor a 4 de fevereiro, numa altura em que o país regista um número recorde de casos de covid-19. Porém, para aliviar algumas restrições, o governo da Áustria decidiu que vai terminar com o confinamento obrigatório para cidadãos não vacinados a partir de segunda-feira. Desde 15 de novembro que os não vacinados só podiam sair de casa para fazer compras ou ir trabalhar. No entanto, apesar do levantamento desta restrição, os não vacinados ainda ficam impedidos de práticas como ir a restaurantes e fazer compras não essenciais.

Alemanha

A Alemanha registou na quinta-feira 203 136 casos de covid-19, ultrapassando pela primeira vez a barreira das 200 mil infeções por dia e atingindo um novo máximo desde o início da pandemia. Face o aumento de infeções pela variante Ómicron, os testes de PCR são escassos e os laboratórios estão a ficar saturados, razão pela qual o ministro da Saúde alemão e os responsáveis do setor propuseram mudar a estratégia de testagem. A opção de testar por PCR apenas pessoas sintomáticas, grupos vulneráveis e pessoal médico está a ser considerada, admitindo que deixe de ser necessário confirmar um teste de antigénio positivo.

Inglaterra

Inglaterra levantou grande parte das restrições de controlo da pandemia no dia 26 de janeiro, uma vez que o governo britânico acredita que esta última vaga ditada pela variante Ómicron já tinha "atingido o pico a nível nacional". O uso de máscaras deixou de ser obrigatório em lojas, transportes, escolas e outros espaços públicos fechados, bem como a apresentação de passe sanitário para acesso a discotecas e grandes eventos. Também o teletrabalho deixou de ser exigido. No entanto, o isolamento de cinco dias para aqueles que testarem positivo à covid-19 continuará a ser obrigatório. Segundo Boris Johnson, "este governo acertou nas decisões mais difíceis".

Estados Unidos

Os EUA continuam a ser o país mais afetado pela pandemia. Ainda que o número de novas infeções esteja a diminuir, as mortes por covid-19 nos EUA atingiram o nível mais alto desde o início do ano passado. A média de mortes chegou às 2,3 mil diárias, o maior número desde 15 de fevereiro de 2021. A variante Ómicron já superou o pico de número de mortes causado pela variante Delta no país, que registou 2,1 mil no fim de setembro.

Itália

Em Itália, a variante Ómicron já é responsável por 96% das novas infeções de coronavírus, segundo o novo balanço do Instituto Nacional de Saúde. Para combater a variante Ómicron, a Itália está a alargar a ordem de vacinação a todos os cidadãos com 50 anos ou mais e a impor multas até 1500 euros para as pessoas não vacinadas que vão trabalhar. Os italianos são também obrigados a estar totalmente vacinados para terem acesso a transportes públicos, aviões, ginásios, hotéis e feiras comerciais.

ines.dias@dn.pt