O diretor nacional da Polícia Judiciária deu uma nota sindical ao seu discurso, no 72ºaniversário da PJ, ontem, ao defender a indexação das remunerações dos investigadores da PJ aos magistrados judiciais e do Ministério Público. Em declarações ao DN, Almeida Rodrigues justificou essa sua "reivindicação antiga": "É uma forma de reafirmação da PJ ligada ao meio judiciário e também uma forma de evitar que os inspetores, que são todos licenciados, na maioria em Direito, saiam da Judiciária concorrer às magistraturas, omo está a acontecer ". Segundo o diretor nacional da PJ, "só este ano já saíram oito inspetores para as magistraturas" e receia que aconteçam mais saídas de futuro..Em todos os aniversários da Judiciária se fala da carência de meios, recursos humanos e equipamentos. Mas raras vezes se assiste ao responsável máximo desta polícia a falar de remunerações. "Não estou a pedir a equiparação dos vencimentos dos inspetores ao dos juízes e procuradores do Ministério Público. O que estou a propor é que haja uma indexação dos salários", concretizou Almeida Rodrigues ao DN. Na cerimónia explicou assim a sua proposta: "Os investigadores deverão sujeitar-se, no plano dos deveres, aos mesmos princípios éticos e obedecer ao mesmo quadro normativo das magistraturas. No plano dos direitos, devem ter o mesmo tratamento, que passará, forçosamente, pela indexação das remunerações dos investigadores da PJ às que são auferidas pelos magistrados". Em todo o país, a Polícia Judiciária conta com um quadro de 1300 inspetores e tem a decorrer um concurso para a admissão de mais 120 investigadores. Grande parte deles serão absorvidos para o crime informático, onde se concentra uma nova criminalidade que muito tem preocupado a Judiciária. Mas para o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), este concurso resolve apenas uma ínfima parte das necessidades. "Para além de o concurso, que decorre há muito tempo, ainda não se ter concretizado, os 120 inspetores não vão chegar. Considerando os desafios da cibercriminalidade e do terrorismo, entre outros novos crimes, insistimos que deviam entrar 100 inspetores por ano, durante cinco anos", defendeu Ricardo Valadas. Confrontado pelo DN com essa pretensão da ASFIC, Almeida Rodrigues recusou comentá-la..Investimento em tecnologia.A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, aproveitou a oportunidade para lembrar que, nestes seus dois anos de mandato, conseguiu regulamentar e instalar a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime (UNC3T) e configurou o Ponto Único de Contacto (PUC) de cooperação policial internacional, assegurando "a concretização por Portugal, de um passo decisivo no quadro da estratégia comum europeia de combate ao crime grave e organizado, com particular enfoque no terrorismo". Van Dunem disse ainda que estão em curso vários procedimentos de apetrechamento tecnológico da PJ, ressalvando que "há desafios novos na prevenção e na repressão que demandam ainda mais capacitação de recursos humanos, investimento em tecnologias e equipamentos". Sobre o estatuto da PJ, a ministra disse que é "tempo de unificar um complexo orgânico, funcional e estatutário fragmentário e desadaptado".