46 mil milhões de euros para apoiar os mais vulneráveis

A União Europeia já apoiou milhares de pessoas num conjunto de países um pouco por todo o mundo, com o objetivo de minimizar o impacto da Covid-19.

DN

A crise pandémica ajudou a desvendar muitas fragilidades a nível global e aumentou ainda mais o fosso entre ricos e pobres, assim como entre os países mais, e menos, desenvolvidos. Um desafio gigantesco para todos, mas muito mais evidente e sofrido para os mais vulneráveis, para quem cada 24 horas representam, muitas vezes, apenas mais um dia de sobrevivência.

Esta crise humanitária sem precedentes desencadeou um reforço nos apoios que os países da União Europeia (UE) já mantêm no terreno, abrindo portas a um conjunto de novos programas de proximidade com diferentes comunidades, à escala mundial. Em pouco mais de um ano e meio, a UE mobilizou mais de 46 mil milhões de euros para limitar o impacto da Covid-19 nas comunidades mais fragilizadas, contando com o apoio dos estados-membros e das instituições financeiras europeias.

O trabalho de campo da UE tem ocorrido em várias frentes, com destaque para a ajuda humanitária que leva alimentação às populações, que lhes garante novos abrigos e habitações, assim como o acesso a água potável, um problema grave em muitos países. Em simultâneo foram criados hospitais de campanha, reforçado o envio de medicamentos e de testes Covid-19 para as unidades hospitalares locais, financiadas ambulâncias e criados centros de teste e de quarentena.

O apoio direto às famílias também não foi esquecido, especialmente àqueles que perderam entes queridos para a Covid-19 e para outras doenças, muito frequentes em certas regiões, e cuja prevenção e tratamento foram, em muitos casos, comprometidos.

Pessoas reais, os rostos da tragédia

Valéria é uma jovem colombiana, de 17 anos, que, há um ano, deixou o país de origem para procurar a mãe no Equador. Ambicionava uma vida melhor, mais segura, junto da família, mas o que encontrou foi uma realidade bem diferente. A mãe estava presa, o pai negociava armas ilegais, e os irmãos mais novos viviam com uma tia em situação de sem-abrigo. Como ela, outros 68 500 migrantes oriundos da Colômbia, e cerca de 415 mil provenientes da Venezuela, procuravam um pouco mais de conforto no Equador.

Contudo, o impacto forte da pandemia e o encerramento das fronteiras, impediu a entrada de muita da ajuda que, antes, ali chegava através de várias Organizações Não Governamentais. Desde então, a UE tem trabalhado de perto com os seus parceiros locais, garantindo o funcionamento de abrigos e de centros de acolhimento.

Valéria foi recebida na Casa Isabel, um abrigo de emergência para crianças e jovens migrantes, em Quito, que faz parte da rede de abrigos equatoriana, e uma das que foi fundada e financiada pela União Europeia. O apoio financeiro europeu garante a estas crianças os cuidados de saúde necessários, apoio psicológico e legal, e até dinheiro para pagar rendas de casa aos que não ficam ali instalados.

Ao longo de 2020, foram alocados mais de 67,7 milhões de euros para apoiar migrantes que abandonaram a Venezuela devido à instabilidade política e económica. Este valor, disponibilizado pelas instituições europeias, financiaram abrigos e serviços essenciais em toda a América Central para apoiar pessoas em risco como Valéria.

Quando a pandemia chegou ao Equador, a UE redirecionou 1,6 milhões de euros para o ACNUR (Alto Comissariado para as Nações Unidas), uma organização-chave parceira, que ajudou a combater diretamente o impacto do vírus no país. Este financiamento ajudou também os abrigos, como a Casa Isabel, a criar programas de sensibilização sobre a doença, e de técnicas de prevenção.

Para contribuir para a consciencialização dos europeus sobre o impacto da pandemia nas regiões mais vulneráveis do mundo, a UE lançou ainda a campanha #safertogether, que visa também demonstrar uma pequena parte do trabalho de apoio realizado pelas instituições europeias. O desafio foi lançado à agência fotográfica MYOP, que colocou em campo um grupo de fotógrafos de renome, e que deu origem a cinco reportagens fotográficas que dão rosto a pessoas como Valéria. Os profissionais visitaram vários países onde a UE está a trabalhar para garantir a proteção, o acesso a abrigos, assistência e apoio humanitário.

Além da história da jovem colombiana, Valéria, os fotógrafos foram até ao Haiti conhecer Wisner, ao Uganda, onde ficaram a conhecer a vida difícil dos refugiados congoleses Mwamini e Minonga, ao Bangladesh e ao Líbano. Manter vivas as memórias e reforçar que cada nome é uma vida, e que cada rosto tem uma história.