Alzheimer e Parkinson. Presidente do IPDN pede comparticipação de tratamentos experimentais
A presidente do Instituto Português das Doenças Neurodegenerativas (IPDN), Isabelle de Oliveira, defende que é urgente começar a comparticipar os tratamentos inovadores para travar o avanço de patologias como Alzheimer e Parkinson. "Já começa a haver mais tratamentos experimentais, o problema é que ainda não é comparticipado", afirma, sublinhando ao Diário de Notícias que "é preciso realmente começar a fazer um esforço nesse sentido", uma vez que estas terapêuticas podem "ajudar muito o doente, sobretudo numa fase inicial".
O apelo surge a propósito do primeiro congresso científico internacional do IPDN, realizado esta sexta-feira (23 de outubro) na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. A iniciativa juntou especialistas portugueses e internacionais para abordar o futuro destas doenças e as dificuldades de quem sofre, de quem trata e também de quem cuida destas pessoas. O evento foi destacado pela responsável como "um momento de partilha, de reflexão, cooperação em torno de um dos grandes desafios da sociedade contemporânea", tendo por objetivo reunir "investigadores, médicos, especialistas e profissionais de saúde nacionais e internacionais" para refletir sobre respostas de saúde possíveis.
Os números justificam a urgência: os casos de demência na UE ultrapassam os 9 milhões, indica o IPDN em comunicado, considerando tratar-se de "um enorme desafio de saúde pública". Destes, cerca de 60% a 70% são causados por Alzheimer, enquanto os diagnósticos de Parkinson superam um milhão. Perante o envelhecimento demográfico, as projeções apontam para que os casos de demência possam crescer cerca de 58%, ultrapassando os 14 milhões de pessoas.
Embora o IPDN se debruce também sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e a doença de Huntington, Isabelle de Oliveira nota que é no Alzheimer e no Parkinson que se registam maiores avanços tecnológicos em direção a tratamentos experimentais — que já se encontram disponíveis, mas inacessíveis à maioria por falta de apoio público.
Entre as conclusões dos cientistas reunidos em Cascais, destacou-se ainda a necessidade de a sociedade civil apostar em "mais campanhas de sensibilização" e na proteção do cuidador, frequentemente empurrado para o "burnout" por ausência de respostas estruturadas.
"Um doente com ELA, por exemplo, precisa de uma equipa multidisciplinar, de uma equipa desde a terapia da fala, fisioterapia, etc., que se desloque a casa", exemplificou a presidente, lembrando os cuidadores informais que integram "um sistema invisível": "Muitas vezes, por exemplo, um filho deixa de trabalhar para acompanhar o pai ou a mãe e não tem ajudas nenhumas. Porque realmente acompanhar este tipo de doente é bastante pesado."
Para a responsável, resta "muito caminho para desbravar no acompanhamento ao doente, a todos os níveis", alertando que a falta de suporte leva ao esgotamento das famílias e a "hospitais entupidos, sem necessidade". O investimento e o financiamento continuam, por isso, no centro da discussão. "A solução final, que acho que todos concordaram, é a parte económica. Se houver financiamento, tudo se resolve, problema que não há", rematou.

