Algarve no vermelho e variante britânica representa 70% dos casos

DGS e INSA divulgam o primeiro relatório sobre a monitorização das linhas vermelhas para a covid-19, que passará a ser publicado semanalmente às sextas-feiras.

O índice de transmissibilidade da covid-19 em Portugal está abaixo de 1 em todas as regiões do país, à exceção do Algarve (1,19), onde o número de casos tem vindo a subir. Em todo o país, a variante britânica do vírus já representa mais de 70% dos casos.

Estas são duas das conclusões do primeiro relatório sobre a monitorização das linhas vermelhas para a covid-19, publicado pela Direção Geral de Saúde (DGS) e pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Este relatório, onde se analisa a incidência a 14 dias, o índice de transmissibilidade, a evolução dos internamentos nos cuidados intensivos ou a proporção de testes positivos, passará a ser publicado semanalmente às sextas-feiras.

"A análise global dos diversos indicadores sugere uma situação epidemiológica controlada, ou seja, transmissão comunitária de moderada intensidade e de reduzida pressão nos serviços de saúde nas próximas semanas. Deve, no entanto, atentar-se ao aumento da transmissibilidade numa das regiões do continente. O atual período pascal e o início do desconfinamento são fatores que podem interferir nesta situação, com reflexos que demorarão algumas semanas a ser visíveis", concluem os especialistas.

Em 11 de março, na apresentação do plano de desconfinamento, o primeiro-ministro, António Costa, avisou que as medidas da reabertura serão revistas sempre que Portugal ultrapassar os "120 novos casos por dia por 100 mil habitantes a 14 dias" ou sempre que o Rt - o número médio de casos secundários que resultam de um caso infetado pelo vírus - ultrapasse 1.

Algarve no vermelho

"O índice de transmissibilidade, Rt, apresenta valores inferiores a 1, tanto a nível nacional (0,97) como nas várias regiões de saúde do continente, com exceção da região do Algarve (1,19). Refira-se que se observa o aumento do valor do Rt desde 10 de fevereiro de 2021, com especial relevo na região do Algarve", lê-se no relatório. Esta região está na zona vermelha da matriz de risco.

No global, o número de novos casos de infeção por cem mil habitantes tem vindo a diminuir, sendo o Algarve a única exceção. "No período compreendido entre 18 e 31 de março de 2021, a incidência cumulativa a 14 dias foi de 65,9 casos por 100 mil habitantes, com uma tendência estável", indicam os especialistas. A nível regional, é de 49 no Centro, 53 no Norte, 72 no Alentejo, 73 em Lisboa e Vale do Tejo e 112 no Algarve.

Variante britânica

A variante britânica representa atualmente 70,6% dos casos de infeção por SARS-CoV-2 no continente, sendo que é de 95% no Algarve. Esta variante é mais transmissível do que a original.

Foram ainda diagnosticados até 28 de março 50 casos da variante da África do Sul. "Após inquérito epidemiológico não foi possível estabelecer o contexto de transmissão de alguns casos (link epidemiológico), o que sugere a possibilidade de transmissão comunitária, ainda que de muito baixa expressão", lê-se no relatório.

Já da variante brasileira, da qual foram detetados 22 casos, "durante a investigação epidemiológica identificou-se história de viagem na maioria dos casos, não havendo evidência de transmissão comunitária sustentada em Portugal".

Até dia 30 de março de 2021, foi realizada a sequenciação genómica em 5758 amostras, sob coordenação do INSA.

Cuidados intensivos

Outra das linhas vermelhas é o número de internados nos cuidados intensivos, estabelecendo-se que estes devem ficar abaixo dos 245 (considerado o nível crítico). A 31 de março, havia 129 doentes internados nestas unidades. "Este número tem apresentado uma tendência decrescente e é expectável que assim se mantenha se a redução do número de novos casos continuar a ocorrer", lê-se no relatório.

É no grupo etário dos 70 aos 79 casos que há mais internamentos nos cuidados intensivos -- eram 39 dos 129 casos a 31 de março.

Testes

Em relação aos testes, a proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 a nível nacional foi de 2,0% (25 a 31 de março), "valor que se mantém abaixo do objetivo definido de 4%, sendo que o total de testes realizados nos últimos 7 dias foi de 152 695".

Nos termos da Norma n.º 019/2020, os resultados dos testes laboratoriais devem ser notificados na plataforma SINAVElab, de forma a não serem ultrapassadas 24 horas desde a requisição do teste laboratorial e a obtenção do seu resultado.

De acordo com os dados, "a proporção de casos confirmados notificados com atraso mantém uma tendência decrescente" -- foi de 8,7% entre 22 e 28 de março e de 7,8% entre 29 e 31 de março. O limiar estabelecido são os 10%.

A notificação é importante para depois proceder ao rastreamento dos contactos. "Nos últimos 7 dias, todos os casos notificados foram isolados menos de 24 horas após a notificação e 91,5% dos seus contactos foram rastreados e isolados no mesmo período, valores acima do limiar dos 90%", lê-se no relatório, que indica que, em média, estiveram envolvidos 121 profissionais no processo de rastreamento no continente.

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