A alfândega portuguesa intercetou uma média de 757 unidades de medicamentos contrafeitos por dia durante o ano passado. Ao todo, foram apreendidos 276 mil produtos nesse período. Os dados constam do recente Relatório de Atividades 2025 do Grupo Anti Contrafação (GAC).Embora as apreensões tenham diminuído 28,1% em relação ao ano anterior, as alfândegas continuaram a impedir a entrada de mais de um quarto de milhão de medicamentos contrafeitos, que representam um risco para a saúde. A Delegação Aduaneira das Encomendas Postais suspendeu o desalfandegamento de 1740 remessas postais, contendo 276.326 unidades de medicamentos. O documento refere que estes fármacos correspondem a “pequenas remessas de mercadorias na via postal, alvo de compras realizadas por particulares na internet, na sua maioria contrafeitos”. Não é especificado que tipos de medicamentos foram apreendidos, mas dados de operações e do próprio Infarmed indicam que, em Portugal, os produtos para a disfunção erétil lideram as apreensões. Há também analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos e outros.Desde o ano passado, outro tipo de medicamento tem vindo a ganhar terreno no país: os medicamentos para emagrecimento falsificados. Este fenómeno está associado à crescente popularização de soluções como as canetas emagrecedoras, cuja venda em Portugal está sujeita à apresentação de receita médica.Todos os anos, desde 2008, um conjunto de autoridades realiza a operação “Pangea”, com foco no combate à venda online de medicamentos falsificados e ilícitos. Na edição deste ano, por exemplo, a Polícia Judiciária (PJ) assinalou o aumento de produtos para emagrecimento. Tanto o Infarmed como a Interpol têm advertido que estes produtos, frequentemente comercializados através da internet, podem conter substâncias diferentes das declaradas ou não conter qualquer princípio ativo. “A compra destes medicamentos em circuitos ilegais, fora das farmácias, constitui um risco para a saúde”, reforça o instituto no seu sítio da internet.OrigemA Índia é a líder absoluta na origem destes produtos, sendo responsável por concentrar 65,2% dos medicamentos contrafeitos intercetados em Portugal em 2025. O país já estava no topo do ranking em 2024.Uma mudança de um ano para o outro foi o aumento de fármacos contrafeitos vindos do Brasil. O país passou de quarto para segundo principal país de origem dos medicamentos apreendidos pelas alfândegas portuguesas. A subida no ranking resulta de um aumento de 7,4% das unidades provenientes do Brasil, ao mesmo tempo que os envios intercetados com origem nos Estados Unidos caíram 85,1% e os provenientes do Reino Unido diminuíram 32,4%.No conjunto de 2025, as autoridades apreenderam 1,23 milhões de produtos contrafeitos (onde se incluem os medicamentos). Apesar da redução de 62,3% no número de artigos apreendidos face a 2024, o valor estimado das apreensões quadruplicou, passando de 6,2 milhões para 27,6 milhões de euros, devido ao maior valor económico dos bens intercetados. O Grupo Anti Contrafação reúne a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, a Autoridade Tributária e Aduaneira, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial, a Guarda Nacional Republicana, a Polícia Judiciária e a Polícia de Segurança Pública, contando ainda com várias entidades públicas e privadas na qualidade de observadoras.amanda.lima@dn.pt.Revista de imprensa. As vendas de injeções para emagrecer e os prejuízos com contrabando de tabaco.Nvidia desenvolve software para combater contrabando de chips