Pedro Portugal Gaspar, presidente do Conselho Diretivo da AIMA - Agência para a Integração, Migrações e Asilo.
Pedro Portugal Gaspar, presidente do Conselho Diretivo da AIMA - Agência para a Integração, Migrações e Asilo.Foto: Leonardo Negrão

AIMA promete melhorar serviços, mas diz que filas de espera "não se comparam" ao passado

A garantia é do presidente do Conselho Diretivo da AIMA, que reconhece que a ineficiência é "violência" contra quem deles precisa. Ainda assim, salienta que o cenário das filas de espera já foi pior.
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A AIMA quer acelerar os processos de regularização de imigrantes. Por esta altura, os números ascendem a uma média entre dois e três mil por dia, o que se concretiza em cerca de 70 mil por mês. Em simultâneo, um dos objetivos para o futuro a curto prazo passa por expandir os serviços pelo território nacional.

Quem o diz é Pedro Portugal Gaspar, presidente do Conselho Diretivo da AIMA - Agência para a Integração, Migrações e Asilo, no colóquio intitulado Coesão Social e os Desafios da Polarização Urbana: Uma Estratégia Local de Segurança. Este junta, nesta segunda-feira, 4 de maio, responsáveis pela segurança no Município de Lisboa, assim como altos responsáveis políticos, no Teatro Aberto, em Lisboa.

O responsável assume, em nome da AIMA, o "compromisso" de os serviços melhorarem, na medida em que reconhece que a demora do processo de regularização dos migrantes constitui "violência" para com as pessoas em questão. Posto isto, promete a melhoria da capacidade de resposta local, com a abertura de pontos de contacto em locais onde, acrescenta, faziam falta.

Não obstante, sublinha que as filas de espera "não se comparam" com as que já existiram no passado.

No que diz respeita ao aumento do fluxo de imigrantes em Portugal nos últimos anos, é um fenómeno que "coloca necessariamente desafios de integração e diálogo". Em simultâneo, lembra que não há "uma solução única" para os desafios que se colocam.

Neste contexto, "a população que recebe tem que perceber a vantagem da população que chega", de forma a valorizar a coesão social.

As declarações tiveram lugar num painel que incluiu cinco oradores, entre os quais esteve também o superintendente-chefe Luís Elias, comandante do Cosmetlis. Este salienta a "descida de mil crimes na criminalidade violenta e grave" em uma década.

O painel juntou cinco palestrantes e foi moderado por Soraia Ramos.
O painel juntou cinco palestrantes e foi moderado por Soraia Ramos.FOTO: Leonardo Negrão

O próprio salientou que, a este respeito, seria importante que as nacionalidades dos criminosos fossem públicas (até ao momento, não o são). Uma alteração que, a acontecer, permitiria "desfazer a desinformação e discurso polarizador" na sociedade portuguesa.

Na mesma discussão, interveio Vasco Malta, chefe de missão da OIM - Organização Internacional das Migrações. Este subscreve a ideia de tornar públicas as nacionalidades de quem comete crimes. No mesmo âmbito, alerta que grande parte das perceções do público estão ligadas a preconceitos.

Assinala o papel do Estado através da aplicação de políticas públicas de integração, mas reitera que a criação das mesmas deve levar em consideração a posição das comunidades migrantes. "Políticas públicas sobre migração sem os migrantes não funcionam", alerta, além de lembrar "a grande dificuldade é a gestão da diversidade", em virtude das diferentes origens, culturas e religiões, entre outras vertentes.

O responsável aborda ainda o envelhecimento da população e a falta de renovação da mesma. Por um lado, alertou que "somos o quarto país mais envelhecido do mundo". Por outro, assinalou que a taxa de natalidade em território nacional fica, inclusive, abaixo daquela que se verifica abaixo de países que estão em guerra.

"Há países onde estão a rebentar bombas e fazem mais bebés do que em Portugal", disse, arrancando sorrisos na sala.

Também marcou presença Rana Taslim, porta-voz da comunidade do Bangladesh. Este entende que os que não têm autorização para estar em Portugal deviam ser deportados. Ainda assim, estes são a exceção e não a regra, de acordo com o próprio

O responsável assinala que em Portugal há 70 mil imigrantes que chegaram do Bangladesh, "quase todos trabalhadores", diz, antes de um aviso aos portugueses. "Há políticos que dizem que imigrantes vivem com subsídios; é mentira", garante.

A imigração aqui em debate, de acordo com Rana Taslim, está na origem de um aumento de "racismo e ciúmes" não apenas de portugueses sobre migrantes, como também de migrantes sobre portugueses. Acresce que a imigração é hoje "uma moda" e Portugal, de forma particular, está na moda para receber migrantes.

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