Agressões no Urban Beach: detidos mais dois seguranças

Um homem já tinha sido detido esta madrugada por "fortes indícios" de ofensas graves à integridade física

A PSP deteve hoje mais dois seguranças envolvidos nas agressões a jovens junto às instalações da discoteca Urban Beach, em Lisboa, elevando para três as detenções efetuadas, disse à agência Lusa fonte policial.

O primeiro segurança foi detido hoje de madrugada pela PSP por "fortes indícios" do crime de ofensas à integridade física graves.

"Mais dois suspeitos, sobre os quais tinham sido emitidos mandados de detenção pela autoridade judicial competente, já se encontram detidos em instalações policiais", refere a direção nacional da Polícia de Segurança Pública em comunicado.

Fonte judicial adiantou à Lusa que os três suspeitos começarão às 09:00 da manhã de sábado a ser ouvidos por um juiz de instrução criminal para aplicação das medidas de coação.

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) destaca também que a PSP realizou, durante a madrugada de hoje, "inúmeras diligências cautelares de recolha urgente de meios de prova para identificação dos respetivos autores dos crimes divulgados, efetuadas no âmbito do inquérito instaurado pelo Ministério Público".

A investigação decorre no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, na unidade especial de combate ao crime especialmente violento (UECCEV), com a coadjuvação da PSP.

Esta madrugada, já tinha sido detido um segurança, elevando assim para três o número de detidos pela PSP depois de ter vindo a público um vídeo que mostrava seguranças da discoteca lisboeta a espancar dois jovens no dia 1 de novembro. Os seguranças trabalhavam para a empresa de segurança privada PSG, que vai ser agora investigada e fiscalizada pela PSP, por ordem do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Em comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira, a PSP informava que o primeiro segurança foi detido por "fortes indícios" do crime de ofensas à integridade física graves.

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) refere que o segurança detido seria hoje presente ao juiz de instrução criminal para primeiro interrogatório e aplicação das medidas de coação adequadas e necessárias.

MAI manda encerrar Urban Beach

O Ministério da Administração Interna mandou esta madrugada encerrar a discoteca para "evitar novas ocorrências no interior ou nas imediações do referido espaço e a manutenção da segurança e ordem públicas", informou o MAI em comunicado. "A medida cautelar tem o prazo de seis meses, período durante o qual o proprietário do estabelecimento deve adotar as medidas necessárias ao regular funcionamento do mesmo que vierem a ser determinadas pelo Comando Metropolitano de Lisboa da PSP no que respeita às condições de segurança".

Na mesma nota, o governo anunciava a ação de fiscalização à empresa de segurança e revelava que seria convocado o Conselho de Segurança Privada para análise da situação ocorrida no estabelecimento K Urban Beach, sobre o qual já recaíram "38 queixas por alegadas práticas violentas ou atos de natureza discriminatória ou racista" ao longo deste ano.

Empresa de segurança repudia comportamentos

A empresa de segurança PSG, responsável pela segurança na discoteca Urban Beach, já repudiou hoje este tipo de comportamentos e garantiu que vai tomar todas as diligências para punir os responsáveis.

Em comunicado, a PSG -- Segurança Privada, S.A. diz que teve conhecimento do caso através das imagens divulgadas nas redes sociais e em órgãos de comunicação social e garante que "os responsáveis serão punidos de forma exemplar, de acordo com a gravidade do comportamento".

"A PSG lamenta profundamente o sucedido e apresenta desde já desculpa aos visados, garantindo que irá desenvolver todos os esforços para seguir a sua missão de proteger e transmitir confiança àqueles a quem assegura a sua segurança", escreve a empresa, acrescentando que "tudo fará para continuar a merecer a confiança dos seus clientes e do público em geral".

Marcelo: violência é sempre condenável

O Presidente da República considerou hoje, sem comentar casos concretos, que a violência é sempre condenável e que a violação do direito à integridade pessoal física e psíquica merece "uma censura agravada".

Falando "em termos abstratos, em termos de princípio", à saída de uma iniciativa na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que a Constituição da República Portuguesa "é muito clara" nesta matéria.

"A defesa da vida, a defesa da integridade física e da integridade psíquica das pessoas é um daqueles direitos chamados absolutos, que em caso algum, mesmo em casos de estado de sítio ou de estado de emergência, pode ser suspenso no seu exercício", salientou, concluindo: "Portanto, terá de olhar-se para a sua violação com uma censura agravada".

Recusando "comentar casos específicos", nomeadamente a agressão de seguranças da discoteca Urban Beach, em Lisboa, a dois jovens, filmada e divulgada, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que "a violência é um problema das sociedades contemporâneas - sente-se isso na comunicação social, sente-se isso nas relações entre as pessoas". No seu entender, "há um grau de violência que vai aumentando, mas que felizmente na sociedade portuguesa não tem comparação, nem de longe nem de perto, com a violência noutras sociedades".

PGR diz que não pode haver complacência

A procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, defendeu hoje que "não pode haver qualquer tipo de complacência" para os atos de violência cometidos em Coimbra e junto à discoteca Urban Beach, em Lisboa, e prometeu uma investigação rápida.

"São casos preocupantes porque o grau de violência é elevado. Temos de estar atentos, não só para uma investigação rápida, mas também para acionarmos todos o meios de prevenção deste tipo de crimes", disse Joana Marques Vidal, à margem de um seminário promovido pela Eurojust em Lisboa.

A procuradora-geral da República sublinhou que para este tipo de violência "não pode existir qualquer tipo de complacência".

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