A adesão à greve do pessoal não docente da Educação ronda, "neste momento", os 50%, sobretudo em estabelecimentos de ensino de Lisboa, Porto e Aveiro, anunciou Mário Rui Cunha, dirigente da Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (FESINAP), em declarações à Lusa.O representante da estrutura sindical que decretou a paralisação afirmou que "ainda é cedo" para apurar números definitivos, mas adiantou ter indicações de que a adesão é de 50%.O dirigente da FESINAP criticou o que considerou ser "intransigência" do Ministério da Educação no que diz respeito às reivindicações do pessoal não docente. "Estamos a preparar, dependendo da adesão que se venha a verificar hoje, novas greves setoriais, quer nas Instituições Públicas de Solidariedade Social (IPSS) quer em outros estabelecimentos de ensino", acrescentou.A FESINAP representa os profissionais do setor da educação e formação profissional que trabalham por conta de outrem, em qualquer estabelecimento dos setores público, privado, social e cooperativo, o que inclui creches, ensino pré-escolar, básico, secundário, superior, IPSS, Misericórdias, no continente e nas regiões autónomas.Para a estrutura sindical, foram "gravosas" as alterações que constam da proposta de lei denominada "Trabalho XXI" aprovada em Conselho de Ministros a 14 de maio.De acordo com a FESINAP, Governo pretende, entre outras propostas, limitar e condicionar o direito à greve dos trabalhadores não docentes, designadamente na obrigatoriedade da prestação de serviços mínimos, por alteração do artigo 537.º do Código do Trabalho.A estrutura sindical acusa ainda o Governo de não mostrar abertura para a reposição da carreira de Auxiliar de Ação Educativa, frisando que os trabalhadores não docentes que exercem funções em Unidades de Ensino Especializado devem auferir Suplemento de Penosidade.A FESINAP, que não quer ser excluída das negociações, entende também que os trabalhadores não docentes devem ser integrados numa tabela remuneratória que tenha em conta a especificidade e o desgaste da profissão, e que "se impõe" a recuperação da carreira de Auxiliar de Ação Educativa da Rede Pública.