A contestação no Porto tem-se tornado cada vez mais tensa.
A contestação no Porto tem-se tornado cada vez mais tensa.Fernando Veludo / Lusa

Acampada Porto: PSP justifica arma empunhada com espancamento de três polícias à paisana

Recurso dissuasor com pistola impediu violência contra quarto elemento durante desocupação da acampada pela habitação . Confrontos provocaram ferimentos em 13 operacionais.
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Polícia de Segurança Pública (PSP) garantiu a preservação urgente das imagens de videovigilância urbana do Porto para demonstrar que três agentes à paisana foram violentamente agredidos a soco e pontapé por manifestantes, tendo as agressões prosseguido mesmo quando os operacionais já se encontravam indefesos e caídos no solo, noticiou este domingo, dia 1 de novembro, a Agência Lusa.

As declarações da PSP e as imagens preservados surgem em reação aos vídeos postos em circulação pelos manifestantes, que se tornaram virais nas últimas 30 horas, bem como as alegações de intimidação e uso desproporcional de força por parte dos manifestantes

O registo captado pelas câmaras do Centro de Comando e Controlo de Videovigilância surge no contraponto direto às acusações feitas – onde um polícia aparece isolado de arma de fogo empunhada, por regra apontada ao chão, quase a ser cercado –, esclarecendo a direção policial que a exibição da arma foi uma manobra puramente dissuasora que evitou o linchamento de um quarto elemento da equipa após terem sido descobertos pelos ativistas.

O balanço da desmobilização da Acampada pela Habitação na Invicta saldou-se em 13 agentes feridos, três dos quais hospitalizados com lesões graves na grelha costal, bacia e membros na sequência do espancamento ao grupo à paisana.

Outros dez elementos do Corpo de Intervenção necessitaram de assistência médica – cinco deles hospitalizados com broncoespasmos e irritações oculares provocadas por disparos de sprays de tinta –, num cenário de tensão crescente em que a autoridade policial invoca a legítima defesa e a reposição da ordem após sucessivos avisos de dispersão ignorados, enquanto os promotores do protesto continuam a denunciar uma atuação desmedida e ilegal contra uma manifestação que dizem ser pacífica.

A PSP explicou ainda que as agressões aos três polícias à paisana “ocorreram sensivelmente em simultâneo” com os acontecimentos registados nas imagens divulgadas, nas quais é possível ver um agente isolado com uma arma de fogo na mão.

De acordo com a polícia, os quatro agentes integravam a mesma equipa e, “quando foram identificados como elementos policiais, vários manifestantes correram na sua direção, obrigando-os a fugir para tentarem proteger-se das agressões”.

“O uso passivo da arma de fogo por um dos polícias de forma dissuasora terá evitado ser agredido, tal como foram os três outros polícias que compunham a equipa”, explicou a PSP.

A polícia acrescentou que, nas imagens divulgadas pelo CCCV (Centro de Comando e Controlo de Videovigilância), são visíveis as agressões de que os agentes foram alvo.

Relativamente aos ferimentos, a PSP indicou que um dos agentes sofreu lesões na grelha costal, mãos, costas e braço esquerdo, na sequência dos pontapés de que foi vítima.

Um segundo polícia sofreu lesões na grelha costal, bacia e costas, enquanto o terceiro apresentou ferimentos no joelho e tornozelo direitos.

Os três agentes receberam tratamento numa unidade hospitalar e tiveram posteriormente alta médica.

Estes três agentes integram o grupo de 13 agentes da PSP feridos, todos no Porto, sendo os restantes da polícia de intervenção.

Além dos cinco polícias do corpo de intervenção assistidos no hospital por terem sido atingidos com sprays de tinta, que já tiveram todos alta hospitalar, houve outros cinco assistidos no local pelo INEM.

Os manifestantes da Acampada do Porto denunciaram a atuação da PSP como “desproporcionada, inconstitucional e sem fundamento legal” contra um protesto pacífico.

Com Lusa