"A pandemia não acabou e já há vírus da gripe na Europa", alerta médico

O pneumologista Carlos Robalo Cordeiro diz que é tempo de proteger os mais frágeis. Ministra da Saúde diz que país se vai manter em alerta.

A ministra da Saúde, Marta Temido, assumiu ontem, após a reunião de Conselho de Ministros, que o país está a registar um aumento na incidência da covid-19, tal como está a acontecer no resto da Europa, e que se vai manter em estado de alerta. No entanto, o pneumologista Carlos Robalo Cordeiro, que também integra o Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos (OM), explica que "a incidência está a aumentar mas isto é resultado da transmissibilidade, porque a situação, e devido ao facto de Portugal ser dos países do mundo com mais população com a vacinação completa, não está a ter resultados na gravidade, quer em internamentos quer na letalidade. E isto é uma vantagem para nós em relação a outros países da Europa, que estão a regressar às medidas restritivas".


Para este médico, que acompanha a pandemia desde o início, "a situação que agora estamos a viver é normal e expectável e tem a ver com a abertura - se calhar, demasiado abrupta - de algumas atividades económicas, como as discotecas". Por isso, sustenta, "já que não houve uma abertura faseada para algumas situações a mensagem que temos de passar agora à população é a de que a pandemia ainda não acabou".

Carlos Robalo Cordeiro refere ao DN que o feedback que já tem de alguns centros da Europa "é que o vírus da gripe já foi identificado em alguns países e mais tarde ou mais cedo vai chegar cá. Portanto, o momento é para proteger os mais frágeis senão poderemos ter efeitos dramáticos".

A ministra Marta Temido anunciou ontem que a vacinação da gripe de idosos em lares está praticamente concluída e o reforço para a covid-19 também está a ser feito. Mas o pneumologista recorda que as faixas etárias com mais casos neste momento "são as mais jovens, sobretudo, as que mais têm convívio social, e estas têm de perceber que, mesmo vacinadas, podem ser infetadas e podem infetar, por exemplo, pais e avós, e isso há que continuar a acautelar, sobretudo por causa também da gripe".

Carlos Robalo Cordeiro, e à semelhança do que fez esta semana a diretora-geral da Saúde e ontem a ministra, reforça que as medidas de proteção, uso de máscara em espaços públicos fechados ou em espaços que não é possível manter a distância, o distanciamento e a higienização das mãos são para manter".

O médico dá como exemplo a modelação da evolução da doença que a Ordem dos Médicos tem vindo a fazer em colaboração com uma equipa do Instituto Superior Técnico. "Quando começámos este trabalho que assenta na avaliação de dois indicadores o da incidência e o da gravidade tínhamos como número referencial o 40, que significava um estado de alerta, depois veio sempre a descer. No final de setembro, registámos o número mais baixo (21) e agora avaliação dos indicadores já dá como resultado um número acima dos 40. O que quer dizer que os alertas estão a soar".

Como diz, este é um exemplo, mas a aposta, sublinha, tem de voltar a ser na mensagem a passar à comunidade: "A pandemia ainda não acabou, protejam-se".

anamafaldainacio@dn.pt

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