Cerca de 68% dos portugueses concordam que os imigrantes são “fundamentais para a economia nacional”. Mas a mesma percentagem pensa “que a política de imigração em vigor em Portugal é demasiado permissiva em relação à entrada de imigrantes no país”..Estas conclusões estão no "Barómetro da Imigração: o que pensam e sentem os residentes em Portugal sobre a imigração e os imigrantes?”, realizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que traz diversos dados antagónicos sobre o tema. A data da divulgação não é por acaso: hoje celebra-se o Dia Internacional dos Migrantes. O objetivo da investigação é “auscultar as perceções, opiniões e atitudes da população portuguesa relativamente aos imigrantes”. Pela primeira vez, o estudo engloba os imigrantes do subcontinente asiático, como Índia, Bangladesh e Paquistão, que representam 9% do total de estrangeiros no país - cerca de 73 mil pessoas num universo de 1,04 milhões. Mesmo assim, são os estrangeiros que os portugueses menos querem no país. Aproximadamente 60%, ou 6 em cada 10, considera que os imigrantes desta região “deve diminuir ou diminuir muito”. É a maior percentagem entre os seis grupos geográficos analisados. Sobre os brasileiros, a maior comunidade imigrante em Portugal, pelo menos metade dos portugueses também quer que “diminua o diminua muito”. .O relatório traz muitas perceções, mas, face aos dados comprova-se que algumas não são reais. Uma delas é a da segurança. Dois terços (67,4%) pensam que “os imigrantes contribuem para o aumento da criminalidade”, mas o documento destaca que “o número de reclusos de nacionalidade estrangeira manteve-se relativamente estável nos últimos dez anos. Verifica-se até uma diminuição, ainda que ligeira, entre o número de presos estrangeiros nos últimos dois anos quando comparados com 2013 e 2014”, com base em dados dos Serviços Prisionais..Outra perceção falsa, na qual 52% dos inquiridos acreditam, é a de que os imigrantes recebem mais do que contribuem para a Segurança Social. Em 2023, a contribuição foi 2677 milhões de euros, enquanto as prestações sociais recebidas foram de 484 milhões de euros. .Os portugueses ainda possuem perceção falsa no que diz respeito ao número de imigrantes no país. Mais de um quarto (27,5%) acha que correspondem a mais da metade da população. No entanto, os imigrantes são de 10% a 12% do total..Por outro lado, quase 70% também vêem a imigração como um fator de manutenção dos baixos salários em Portugal e, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o Ganho Médio Mensal (GMM) dos estrangeiros é de facto menor do que o dos portugueses (19% diante de 28%). Cerca de 54,2% têm a perceção de que "sem imigrantes, os portugueses teriam melhores contratos de trabalho"..Também metade dos inquiridos vê os imigrantes como uma “ameaça simbólica” e que “empobrecem os valores e tradições portuguesas”. Na comparação com 2010, representa o dobro do número de cidadãos que viam os imigrantes como uma ameaça às tradições portuguesas. No mesmo sentido, 52.5% admite conversam pouco ou com nenhum imigrante no dia a dia, entre colegas, vizinhos ou pessoas na rua. Ao mesmo tempo, 77,4% concorda que os imigrantes devem ter o direito de trazer familiares para Portugal. Apenas 4,4% discorda totalmente..Nas principais mensagens destacadas na análise dos resultados, o relatório conclui que "o panorama geral é predominantemente negativo". Para este barómetro, a Fundação Francisco Manuel dos Santos entrevistou 1072 pessoas com mais de 18 anos, entre junho e agosto deste ano. A maioria foram mulheres, residentes em todas as regiões do país. A autoria do estudo é dos investigadores Rui Costa Lopes, João António e Pedro Góis..amanda.lima@dn.pt