Quase dois em cada três (63%) trabalhadores já sentiram algum tipo de discriminação com base no seu aspeto físico, idade, género ou origem étnica e cultural. Esta foi uma das principais conclusões de um estudo sobre diversidade e inclusão no local de trabalho desenvolvido pelo Grupo CEGOS, instituição francesa em Portugal representadada pela CEGOC, que se assume como líder internacional e uma referência no desenvolvimento pessoal e profissional de milhares de pessoas, mas também como um observador atento do mercado de trabalho..Com o título Diversidade e inclusão nas organizações: desafios e competências de uma transformação cultural", o estudo recolheu a opinião de 4 007 colaboradores e 420 diretores e responsáveis de Recursos Humanos de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Brasil. O grupo, que opera no setor da formação, consultoria, recrutamento e seleção, e coaching, escolheu obter dados nestes vários países para traçar um panorama global e também nacional desta realidade. Os dados obtidos foram recolhidos e analisados por especialistas e dá voz a um conjunto de tendências emergentes em Portugal e no mundo..Os objetivos da empresa passaram por compreender as barreiras e principais formas de discriminação com que alguns grupos se deparam no mercado de trabalho, mas também quem é que está disposto a combater estas situações, qual o impacto de movimentos internacionais (como o MeToo e Black Lives Matter) e que estratégias estão a ser levadas a cabo hoje para que empresas e colaboradores possam progredir neste tema.."A CEGOC entende que a realização e a disponibilização de estudos internacionais de relevo como este faz parte do seu ADN e da sua missão. Isto é, responder ao desafio crucial de ajudar a partilhar conhecimento e desenvolver competências de uma forma sustentável e responsável", explica Catarina Correia, diretora de Marketing e Comunicação na CEGOC, em entrevista ao DN. Além disto, o facto de a diversidade e inclusão ser um tema cada vez mais debatido nas organizações, tornou esta escolha natural para o grupo..Uma das principais conclusões desta análise foi que a discriminação continua presente no local de trabalho, com 82% dos colaboradores a dizer que já testemunharam situações de discriminação. Os resultados mostraram que estes atos de discriminação são perpetrados, em primeiro lugar, por colegas quer da mesma função, quer de outras equipas, e só depois por gestores diretos..Quanto às políticas de diversidade, 65% dos colaboradores acredita que estas são essenciais, pois contibuem para o desempenho global das organizações. O estudo também concluiu que as pessoas estão recetivas e preparadas para as mudanças que possam ser feitas e que cabe às organizações pôr em prática e avaliar as ações em prol de ambientes mais diversos e inclusivos..Catarina Correia explica que os colaboradores e responsáveis de recursos humanos estão focados em três aspetos para uma maior inclusão nas empresas: a organização do trabalho (inclui políticas de tolerância zero para discriminação e assédio), novas práticas de recrutamento e formação..A gestora diz que apesar das disposições legais específicas para combater o assédio e a discriminação em contexto de trabalho, "tais comportamentos continuam a manifestar-se a níveis muito elevados e tanto colaboradores, como responsáveis de recursos humanos corroboram esta realidade em todos os países inquiridos". Desenvolver este estudo foi um passo da empresa para saber como se tornar mais proativa nestas questões e contribuir para a sensibilização e formação dos seus colaboradores e de todas as empresas que sentirem que estas conclusões podem ajudar a mudar algo..Desta forma, Catarina Correia considera que a legislação relativa a estes temas acaba por ser influenciada. "Mais cedo ou mais tarde, a legislação acaba por ser impactada por todos os ecos recolhidos, que revelam ainda um longo caminho a percorrer em termos de igualdade de oportunidades e proteção contra o preconceito e a discriminação", diz.."Sobretudo, este estudo pretende encorajar as organizações a repensarem a sua visão nestas matérias para o futuro, e, com isso, motivar os seus colaboradores e outros à sua volta (stakeholders, clientes, parceiros, sociedade em geral) para a ação", afirma Catarina Correia..sara.a.santos@dn.pt