Nos últimos cinco anos, 60 crianças e adolescentes morreram por afogamento em Portugal, alertam a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI). As duas entidades lançam, na próxima semana, uma campanha de prevenção do afogamento."Apesar da redução expressiva de mortes e internamentos nas últimas duas décadas, os dados mais recentes revelam um aumento preocupante da mortalidade nos últimos anos", lê-se no comunicado enviado às redações esta tarde, 2 de julho. A preocupação aumenta em períodos de onda de calor, como a que Portugal atravessa nos próximos dez dias.A faixa etária com maior número de afogamentos é a dos bebés e das crianças até aos quatro anos. Neste grupo registaram-se 20 mortes e 21 internamentos. Os casos ocorrem maioritariamente em piscinas. Entre os cinco e os nove anos registaram-se cinco mortes e oito internamentos. "Apresenta os valores mais baixos, mas exige atenção", afirmam a GNR e a associação.Entre os 10 e os 14 anos ocorreram 10 mortes e 10 internamentos. O risco é maior nos meios aquáticos naturais, "provavelmente associados ao início da utilização independente destes locais". Já o maior número de mortes por afogamento verifica-se entre os 15 e os 19 anos, com um total de 28 mortes e 18 internamentos.Entre 2020 e 2022, o número médio de mortes anuais por afogamento fixou-se em 15, o que representa mais do dobro da média registada no triénio anterior (7,3). Os afogamentos continuam a verificar-se com maior incidência entre os rapazes e concentram-se esmagadoramente nos meses de verão, nomeadamente em junho, julho e agosto.A GNR e a APSI apelam, através de ações de sensibilização junto das populações, para que a segurança em torno da água não seja negligenciada. As entidades sublinham a necessidade de uma "supervisão ativa e constante por parte dos adultos". Entre as restantes recomendações estão a instalação de barreiras verticais em piscinas domésticas, a vigilância das zonas de banho e mergulho por profissionais qualificados (nadadores-salvadores) e a existência de equipamento de socorro junto de planos de água não vigiados.amanda.lima@dn.pt.Afogamentos já provocaram 57 mortes em Portugal nos primeiros cinco meses do ano.Onda de calor. Nadadores salvadores alertam para aumento de risco de afogamento