58% das populações de animais selvagens desapareceram em meio século

A manter-se este ritmo de erosão no mundo natural, perdas vão chegar aos 67% em 2020, diz relatório da WWF

Em menos de 50 anos (entre 1970 e 2012), as populações de animais selvagens caíram em todo o mundo para menos de metade - um tombo de 58%. A manter-se este ritmo alucinante, em 2020, quando tiver passado meio século neta contagem, essa perda deverá chegar aos 67%.

São os dados do Relatório Planeta Vivo 2016 divulgado hoje pela WWF, que aponta o dedo a uma única espécie do planeta como responsável por este declínio: os seres humanos.

"A vida selvagem está a desaparecer nas nossas vidas a um ritmo sem precedentes", afirmou Marco Lambertini, o diretor-geral da WWF International na apresentação do novo relatório, sublinhando que "isto não é apenas sobre as espécies maravilhosas que todos amamos", mas sobre todas elas e os seus ecossistemas - sobre a própria Terra, afinal.

A solução? É preciso reverter o mais depressa possível este processo de destruição, até porque, garante Lambertini, as ferramentas para corrigir o problema estão todas aí. "Temos de começar a usá-las agora, se queremos levar a sério a preservação de um planeta vivo que garanta a nossa própria sobrevivência e prosperidade", alertou.

As ferramentas não são sequer armas secretas. Pelo contrário, passam por práticas concretas já conhecidas, como a adoção de medidas de proteção do ambiente, em articulação com o desenvolvimento económico, por alterações profundas nos padrões de produção e de consumo ou ainda pela descarbonização urgente da economia, de forma a evitar que as alterações climáticas mudem de forma irreparável o planeta.

Aparte a dimensão do problema, que se agravou desde o último relatório Planeta Vivo da WWF, de 2014, a perda acelerada da biodiversidade no planeta não é novidade. Essa tendência tornou-se mais visível a partir de 1990 e desde então não parou de se acentuar - tem uma hoje uma taxa anual de queda de 2% .

O relatório Planeta Vivo, que a WWF produziu em colaboração com outras duas organizações ligadas ao ambiente, a Zoological Society of London e a Global Footprint Network, responsabiliza explicitamente as atividades humanas pela situação, como a utilização dos solos, sobretudo na agricultura, o comércio de espécies e a caça furtiva, a poluição e as alterações climáticas.

Para chegar aos seus resultados, a WWF monitorizou um total de 3700 espécies de mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis de vários pontos do mundo e coligiu todos os dados publicados sobre elas na literatura científica e nas estatísticas de organismos oficiais, de grupos que trabalham na área da conservação e ONG de ambiente e avaliaram a dimensões das respetivas populações desde 1970.

As conclusões estão à vista e os alertas são claros. Como seria de esperar, os animais-ícone da erosão da biodiversidade estão lá, nas listas vermelhas dos mais ameaçados, com as suas populações cada vez mais diminutas, e cada vez mais em risco. Mas, como diz o responsável da WWF International, já não se trata apenas dos animais que nos habituámos a ver como símbolos do mundo natural. Já não se trata só dos elefantes ou dos tigres, dos pandas e dos leões. Trata-se da própria biosfera e da imensa diversidade de espécies que ela abriga, em todos os seus reinos e géneros. E palavra de ordem é esta: ainda estamos a tempo.

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