400 camiões em marcha lenta prometem bloquear três autoestradas contra preço dos combustíveis
Mais de 400 camiões em marcha lenta entre Paredes e Coimbra deverão lançar o caos em três autoestradas do país na sexta-feira, 25 de setembro. O protesto, que seguirá pela A1, A42 e A41, está a ser organizado por empresários do setor das terraplanagens, que reclamam “respostas concretas” face ao aumento dos combustíveis.
“Temos, neste momento, a participação de mais de 100 empresas e de 400 carros pesados”, garantiu Miguel Machado Mendes, advogado representante dos promotores da iniciativa à agência Lusa, explicando que a iniciativa nasceu de um movimento espontâneo de um conjunto de empresas do ramo das terraplanagens, movimentação de terras, extração de inertes e transportes. Trata-se, segundo realçou, de um subsetor da construção civil “muito exposto e vulnerável ao aumento do custo das energias”, nomeadamente do gasóleo.
Confrontado com o anúncio desta marcha lenta, o ministro da Economia afirmou esta quinta-feira em Bruxelas que "o governo está sempre atento à realidade e em contacto com as associações empresarias, nomeadamente da área dos transportes", no sentido de perceber que medidas devem ser tomadas em cada momento. Manuel Castro Almeida lembrou que o Executivo acordou apoios seletivos aos transportadores e agricultores e afirmou que o Executivo está disponível "para participar neste esforço que os portugueses estão a fazer", mas garantiu que tem um limite: "Não vamos quebrar o princípio das contas certas".
Tal como já fizera a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, Castro Almeida insistiu que as famílias e as empresas nacionais devem “fazer tudo” para poupar combustíveis". "Se houver alternativa, o conselho que damos é que as pessoas tentem consumir menos", afirmou.
A marcha lenta de secta-feira terá início pelas 7:30, junto à entrada de Lordelo da A42, de onde seguirá rumo à A41, no sentido norte sul, e depois pela A1, no mesmo sentido, até Coimbra Sul, onde terminará.
Salientando que “o gasóleo é um custo de produção que significa quase 70% do preço final” que estas empresas apresentam aos clientes, Miguel Machado Mendes explicou que “a subida histórica do preço dos combustíveis está a colocá-las diante de um cenário insustentável”.
Os promotores da iniciativa realçam que desde 27 de fevereiro deste ano, o preço do gasóleo em Portugal passou de 1,59 euros para 2,22 euros por litro, o que representa um aumento de 63 cêntimos por litro. Dizem-se "discriminados pelas recentes medidas de incentivo do Governo”, que não se aplicam ao seu setor de atividade, e reclamam “descontos profissionais idênticos aos do setor dos transportes de passageiros e de mercadorias”.
Para alertar para a importância estratégica deste setor, os empresários dizem que é com a escavação, terraplanagem e extração que começam todas as obras de construção civil.
Lembrando que “têm vindo a absorver sucessivos aumentos de custos, novas exigências e alterações às condições de trabalho”, as empresas do setor afirmam que “essa capacidade tem limites” e alertam: “Se não conseguirem continuar a trabalhar em condições economicamente sustentáveis, muitas obras do país serão inevitavelmente afetadas”, garantem.
A marcha lenta de sexta-feira pretende assim ser um “protesto contra o aumento do gasóleo e o tratamento discriminatório por parte do Governo”.
Concentração em Alverca no sábado
No sábado, cerca de 30 empresas de transportes de mercadorias reúnem-se no Carregado, também em protesto contra o impacto do aumento dos combustíveis.
“Até agora ainda ninguém nos deu apoio nenhum, ainda não recebemos nada para contrariar esta situação”, disse à Lusa Diogo Mata, da Transportes Mata & Filhos e um dos organizadores da reunião.
Segundo avançou, no encontro estarão transportadores “de todo o país, mas maioritariamente da zona de Lisboa”, com o objetivo de “discutir medidas de luta” face à impacto da escalada do preço do gasóleo, que representa cerca de metade dos respetivos custos.
Nas últimas semanas têm ocorrido protestos contra a escalada do preço dos combustíveis. No dia 7, além de um buzinão na Ponte 25 de Abril, entre Almada e Lisboa, aconteceu uma marcha lenta de automóveis percorreu as estradas de acesso à refinaria da Galp em Sines, provocando mais de 10 quilómetros de fila no IC33, além de constrangimentos noutras vias.
Na semana passada, o Governo acordou um conjunto de medidas para fazer face ao preço dos combustíveis, entre elas um apoio extraordinário de 118 a 458 euros por veículo para o transporte de mercadorias e os veículos de pronto-socorro, num total de 30 milhões de euros, e de 420 euros por autocarro para os operadores privados de transporte de passageiros, num envelope total de cinco milhões de euros. No entanto, os organizadores da reunião de sábado dizem que "não é suficente" e que “as empresas pequenas nunca recebem nada". "É só para os grandes”, afirmam.
Os preços do gasóleo na União Europeia (UE) atingiram um novo máximo de 2,23 euros por litro, contra 2,16 euros na semana anterior, segundo uma análise da agência de notícias AFP aos dados nacionais publicados pela Comissão Europeia.
*Com Lusa

