Uma grande maioria dos países não consegue manter a corrupção sob controlo”. Esta é uma das frases-chave do Índice de Perceção da Corrupção 2025 (CPI, na sigla inglesa) que é divulgado esta terça-feira (10 de fevereiro) e onde a Transparência Internacional analisa a forma como a nível mundial os países lidam com este fenómeno.Um retrato em que Portugal volta a ficar mal, pois pelo 11.º ano consecutivo cai na classificação: ocupa o 46.º lugar entre 180 países e territórios, mas está entre os resultados mais baixos da Europa Ocidental, com 56 pontos quando a média europeia é de 64. No topo da tabela estão Dinamarca (89), Finlândia (80), Singapura (84), Nova Zelândia (81), Noruega (81), Suécia (80) e Suíça (80).De acordo com a Transparência Internacional, “a corrupção continua a registar um agravamento a nível global, refletindo um enfraquecimento da liderança política necessária para que seja prevenida e combatida eficazmente”. No documento os autores frisam que “em muitos países, os líderes alegam preocupações de segurança, económicas ou geopolíticas, para concentrar o poder, não cumprir normas internacionais, incluindo as anticorrupção”.As pontuações atribuídas aos países e territórios resultam da análise de dados publicados por várias fontes, por exemplo, o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, o Fórum Económico Mundial e instituições das Nações Unidas - indo a escala do 0 (muita corrupção) até ao 100 (corrupção muito baixa).Portugal em quedaNo que respeita a Portugal, o relatório explicita que o país obteve 56 pontos, o que corresponde ao 46.º lugar em 180 países e territórios, um pouco acima de Espanha e Itália, por exemplo. Frisa, ainda, que tal desempenho “confirma a continuidade de uma trajetória negativa observada desde 2015”.Segundo o documento “a descida registada em 2025 resulta da deterioração das avaliações e algumas fontes que integram o índice, refletindo fragilidades persistentes nos mecanismos de integridade pública e limitações na capacidade de prevenir riscos de corrupção no exercício de funções públicas. Em termos comparativos, Portugal apresenta uma pontuação inferior à média europeia no que respeita à perceção da integridade no setor público”.Um dos alertas do relatório - que é também destacado pelo presidente da Transparência Internacional Portugal, José Fontão - passa pelo facto de “a implementação das política anticorrupção e a fiscalização da ação pública” continuarem “insuficientes, nomeadamente no que respeita à execução da estratégia anticorrupção e à afetação de recursos para uma monitorização eficaz e independente”.“Os resultados do CPI 2025 evidenciam, assim, a persistência de fragilidades estruturais no sistema de integridade pública em Portugal. Sem avanços consistentes na aplicação das medidas existentes e na capacidade institucional de prevenção e fiscalização, é expectável que estas limitações continuem a refletir-se negativamente na avaliação internacional do país”, conclui.Reino Unido, França, Hungria e EslováquiaEntre as diversas análises há referências a quatro países - dois devido ao aumento da perceção de corrupção e os outros devido a decisões dos governos.No primeiro caso, estão o Reino Unido e a França que surgem com este destaque devido aos escândalos envolvendo políticos, incluindo deputados a receber dinheiro para fazer lobby, levando a um choque entre interesses públicos e privados.Já a Hungria e a Eslováquia são referidas devido à decisões dos governos em proibir Organizações Não-Governamentais ou media críticos.