Prebuild no centro de um furacão na Colômbia

Com um projeto de investimento de 250 milhões de dólares (223 milhões de euros) em curso na Colômbia, a Prebuild está no centro de um imenso furacão mediático no país, com acusações de dívidas a fornecedores que se acumulam, acordos de pagamentos que não cumpre, incumprimentos de contratos e salários em atraso a trabalhadores que alegam não ter dinheiro para regressar a Portugal. Em comunicado, hoje emitido em Bogotá, o grupo português garante que "a Prebuild não se deixará intimidar e procurará de forma intransigente repor a realidade dos factos".
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As primeiras notícias começaram a circular em abril, dando conta do acumular de dívidas da Prebuild na Colômbia, em resultado do fracasso do negócio de retalho de artigos para o lar, a Plenty, que lançara no mercado. Mas, nos últimos dias, foi a verdadeira catadupa mediática. A Terranum, parceiro da Prebuild na Colômbia, veio anunciar, pela comunicação social, que, "devido aos repetidos incumprimentos dos últimos meses por parte da Prebuild nos contratos com a Terranum e devido as notícias publicadas recentemente, a Terranum deu instruções aos seus assessores legais para que tomem todas as medidas consideradas relevantes em cada um dos contratos assinados com o grupo português".

No mesmo comunicado, o fundo de investimento imobiliário detido maioritariamente pelo grupo Santo Domingo deixou claro que não há qualquer relação acionista entre a Terranum e a Prebuild, mas apenas que subscrevera com a empresa portuguesa "dois contratos de obra e três de arrendamento em dois dos nossos projetos". E garantia, claro, que havia honrado todos os seus comprimissos e obrigações. 'Terranum corta relações económicas com a Prebuild', 'As dívidas da Prebuild na Colômbia', 'Cheira a fraude no setor da construção' ou, ainda, 'O tsunami português que atinge a Colômbia' foram apenas alguns dos "titulos das notícias dos últimos dias, muito pouco elogiosas, como se calcula, para o grupo criado por João Gama Leão e que, na Colômbia, é dirigido por Jorge Brandão.

Em comunicado hoje emitido em Bogotá, a Prebuild Colômbia "regista com grande tristeza as tentativas de difamação em grande escala" e garante que "o poder económico e financeiro pode proporcionar o controlo dos media mas não compra a verdade". E a verdade, segundo a empresa portuguesa a operar na Colômbia desde 2012, é que a Prebuild "não tem nenhum sócio ou membro do conselho diretivo com problemas criminais, ao contrário da Terranum"; a Prebuild "tem as suas holdings debaixo do direito português e europeu, ao contrário da Terranum, que tem alguns acionistas com sede em paraísos fiscais"; "os acionistas da Prebuild são pessoas singulares e conhecidas, ao contrário da Terranum, que usa sociedades anónimas para ocultar os verdadeiros proprietários".

Ou seja, pode ainda ler-se no documento, "todo este ruído não passa de uma encenação para ocultar a guerra de poder entre os acionistas da Terranum para a tomada de controlo absoluto da empresa sem olhar a meios". E a comprovar a boa fé da Prebuild, diz a empresa portuguesa, "estão os investimentos realizados já este ano na importação de equipamentos para o parque de Gachancipá", diz.

Não significa isto, que a Prebuild nega a existência de dívidas ou dificuldades de pagamento na Colômbia. Bem pelo contrário. No comunicado é dito que "são conhecidas e assumidas as dificuldades que um projeto desta dimensão sempre acarreta e a Prebuild não é exceção".

Já no que aos incumprimentos alegados pela Terranum diz respeito, a Prebuild aponta uma lista imensa e pormenorizada, projeto a projeto em que esteve envolvida com a empresa do grupo Santo Domingo, de "erros, omissões e alterações de projetos, faltas de licenciamento", que, diz, não podem agora, "com clara má fé, ser confundidas com incumprimentos".

E reclama, ainda, indemnizações várias, designadamente pelos "mais de quatro meses de paragem" das obras no parque industrial de Gachancipá que "originou prejuízos de muitos milhões", além de acusar a Terranum de "pretender cobrar arrendamento de um imóvel dentro de uma zona franca sem que este tenha abastecimento de água, energia ou saneamento".

A empresa portuguesa termina o comunicado sublinhando que "não permitirá ser utilizada como arma para guerras internas de um grupo económico ou para justificar incompetências alheias" e assegura que "não deixará de usar todos os meios legais à sua disposição para repor a verdade dos factos nem deixará de proceder judicialmente contra os autores da presente campanha difamatória".

Já confrontada com a existência de acusações - foi enviado um email anónimo, às redações - da existência de trabalhadores portugueses na Colômbia sem receber salário há três meses e sem dinheiro para regressar a Portugal, a empresa nega que tal seja verdade. Jorge Brandão, CEO da Prebuild Colômbia, admite um atraso no pagamento dos salários do mês passado "no máximo a três pessoas", mas garante que foram pagos os complementos de alimentação. "É completamente falso que haja salários por pagar desde dezembro. Estamos a gerir a crise", afiança.

O Dinheiro Vivo respondeu ao email anónimo, solicitando mais pormenores. A pessoa em causa não se quis identificar, dizendo apenas que há cerca de dez trabalhadores portugueses a trabalhar nas obras da Prebuild na Colômbia, mas que há quatro, na zona de Barrancabermeja, "a precisar de atenção". Não especificou porque não se dirigiram às autoridades portuguesas, adiantando, apenas, que "muitas já vieram, como eu, porque conseguiram que a família lhes pagasse o voo".

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