Poupança só pode crescercom políticas estáveis

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Políticas estáveis para não gorar as expectativas dos aforradores, como

sucedeu com as taxas de rentabilidade dos certificados de aforro, são

fundamentais para estimular a poupança privada em Portugal. A

recomendação está nas conclusões do estudo "A Poupança em Portugal",

tema de uma conferência, hoje, no Porto.

"Uma vez que os incentivos fiscais estão fora de questão devido à

contenção orçamental, o melhor que o Estado tem a fazer para incentivar a

poupança é começar a poupar", aconselhou, ainda, Fernando Alexandre,

coordenador do estudo e investigador da Universidade do Minho.

Para Miguel Cadilhe, que falou durante a conferência, a questão dos

benefícios fiscais, retirados recentemente a produtos como os Planos de

Poupança Reforma ou os Planos de Poupança Habitação, revelam "falta de

respeito e de consideração" por quem poupa. "O Estado deve respeitar

religiosamente os contratos feitos e só deve mudar o que diz respeito ao

futuro. Não foi isso que fez e quem poupou não perdoa ao Estado",

acusou o antigo ministro das Finanças.

A tomada de decisões políticas e económicas tendo em conta o impacto que

terão sobre as poupanças e a definição e aplicação de medidas de

estímulo à poupança são as restantes linhas de acção que o estudo recomenda ao Governo.

"O desenvolvimento do sistema financeiro eliminou os motivos das famílias para pouparem, uma vez que o acesso a crédito com taxas de juro baixas foi facilitado", explicou Fernando Alexandre. Todavia, se a poupança das famílias e das empresas começou a descer com a crise financeira global, o mesmo já não pode dizer-se do Estado português, que, desde 1974, nunca poupou.

"A despesa do Estado Social [despesas com prestações de desemprego, doença, reforma, etc] aumentou, de 12% do PIB, em 1980, para 28% em 2010. É inevitável que o Estado Social tenha de recuar", apontou o investigador.

O estudo "A Poupança em Portugal" aponta, ainda, que o sistema vigente "obriga os trabalhadores a descontar quase um terço do ordenado para a Segurança Social. Face a esse nível de descontos, torna-se difícil imaginar esse trabalhador a poupar ainda mais".

Não há dúvidas, porém, que a poupança privada vai aumentar, em breve, em Portugal. Segundo o economista, nada é mais eficaz do que o receio do futuro para estimular a poupança. "O problema da poupança não vai resolver-se sem dor, mas vai resolver-se naturalmente", concluiu.

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