Socialistas atiram-se a Marcelo no caso Centeno

Deputados e outras figuras do PS vieram para as redes sociais criticar a posição assumida na noite desta segunda-feira pelo Presidente da República

"Uma vergonhosa nota do Presidente da República", "É preciso saber respeitar os poderes dos órgãos de soberania", "A banalização e o frenesim quotidianos da ação presidencial são contraproducentes a prazo". É com palavras destas que vários socialistas vieram esta terça-feira criticar o comunicado da noite anterior do Presidente da República sobre a reunião mantida com Mário Centeno relativamente à polémica da Caixa Geral de Depósitos.

Na note oficial, publicada no site oficial da presidência, Marcelo Rebelo de Sousa divulga que manteve nesse dia uma reunião com o ministro das Finanças - na qual este lhe deu conhecimento da comunicação que iria fazer ao país - e afirma ter "aceite" a posição do primeiro-ministro, António Costa, de "manter a sua confiança [em] Mário Centeno (...) atendendo ao estrito interesse nacional, em termos de estabilidade financeira".

O tom político inerente neste comunicado e em especial esta última afirmação estão agora a ser muito criticados. Num post no Facebook, o deputado Porfírio Silva afirma mesmo que Marcelo está a desrespeitar a separação de poderes dos órgãos de soberania.

"Não basta querer ser 'presidente de todos os portugueses' para ser um bom PR. É preciso saber e respeitar os poderes próprios e os poderes dos demais órgãos de soberania", lê-se na publicação.

Para este dirigente socialista, Marcelo Rebelo de Sousa precisa "não ter a tentação de compensar o excessivo ativismo com a técnica de 'uma no cravo, outra na ferradura'. E também é preciso evitar o método que se costuma chamar 'atirar a pedra e esconder a mão'. Até porque o mundo não vive nem se esgota em boas intenções, com ou sem aspas".

Mais violento ainda foi o deputado do PS Ascenso Simões, que igualmente no Facebook reproduziu o comunicado de Belém com o seguinte comentário: "Uma vergonhosa nota do Presidente da República".

Já o antigo deputado Vital Moreira utlilizou o seu blogue Causa Nossa para criticar Marcelo. Num post intitulado "O que o Presidente não deve fazer", Moreira faz questão de sublinhar que no sistema constitucional português "o PR não é cotitular da função governativa, pelo que não deve imiscuir-se no exercício desta pelo Governo nem parecer como se fosse tutor ou arauto deste, como sucedeu algumas vezes".

"Ora, quanto mais o PR se envolve no debate político corrente mais riscos corre de debilitar a sua estatura institucional e de se comprometer politicamente num sentido ou noutro. O maior ativo constitucional da função presidencial é a autoridade e independência do cargo, acima da dialética Governo-oposição. Por mais gratificantes que sejam durante algum tempo, a banalização e o frenesim quotidianos da ação presidencial são contraproducentes a prazo", acrescenta.

Até porque, faz questão de concluir numa adenda: "Os ministros não carecem da confiança política do PR, nem este os pode demitir por sua iniciativa (...). Por isso, quando um ministro se sente na necessidade de colocar o seu lugar à disposição, fá-lo perante o PM, a quem tem de prestar contas, não perante o Presidente".

Tal como o DN noticiou este início de madrugada, "foi o Presidente que sugeriu a ida do ministro a Belém, exigindo que quem podia esclarecer o assunto o fizesse". Após esta reunião, e em concertação com António Costa, Centeno marcou uma conferência de imprensa para se explicar relativamente à polémica de António Domingues na Caixa Geral de Depósitos.

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