"Só a palavra aluguer já é profundamente negativa"

Entrevista ao Padre Feytor Pinto, ex-coordenador da Pastoral da Saúde, sobre a gestação de substituição

Qual a posição a Igreja Católica relativamente às barrigas de aluguer?

A Igreja tem ideia muito segura nessa área e pode não concordar que se debata um problema destes sem um estudo profundo. Os eticistas têm muita dificuldade em aceitar que o que é cientificamente possível seja eticamente válido. Só porque cientificamente se consegue, não quer dizer que seja legítimo.

O que está em causa?

O primeiro problema é ético: a transmissão da vida tem uma unidade desde a fusão dos gâmetas ao nascimento da criança. Ao introduzir outros elementos, está a ser afetada a dignidade humana. Depois, há um problema social sério e jurídico: como se defende quem é a mãe? A lei pode ser anti-ética. E de quem é a responsabilidade da educação? Quem suportou o bebé nove meses pode reivindicar esse direito. Por fim, existe um problema económico. Só a palavra aluguer já é profundamente negativa. Choca-me muito que uma pessoa que se oferece tire lucros.

Uma mulher que não pode ter filhos por questões de saúde, não tem direito a outras soluções?

Tem, é o que dizem os bispos portugueses. O papa João Paulo II disse que toda a Procriação Medicamente Assistida é inaceitável, mas os bispos consideram que há situações em que se pode aceitar. Não somos radicais. Mas a grande defesa da Igreja é a maternidade a partir de dois gâmetas a viverem em união. Relativamente às barrigas de aluguer, é cientificamente possível, mas eticamente exige uma reflexão séria.

Como vê o alargamento da PMA a todas as mulheres?

A Igreja nunca aceitará a PMA para casais homossexuais, porque não os reconhece como família.

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