Oficial: Portugueses estão a ser recrutados pelo Estado Islâmico

Relatório do SIS confirma que estão a ser acompanhados "indivíduos de nacional portuguesa e lusodescendentes" que foram para a Síria e que têm ligações ao grupo terrorista

Os Serviços de Informações e Segurança (SIS) localizaram cidadãos portugueses nas fileiras do Estado Islâmico e desde 2013 estão a acompanhar "um grupo de indivíduos de nacionalidade portuguesa e lusodescendentes" que está na Síria, com ligações ao grupo terrorista.

O relatório do SIS, citado pelo Observador, aponta que não existem informações de "planificação ou execução de atentados" em Portugal. No entanto, as autoridades reconhecem que a ameaça é real, tendo em conta as estruturas de apoio logístico, "de radicalização e de recrutamento".

O relatório refere também a atração que a jihad síria exerce sobre "os extremistas europeus entre os quais se incluem cidadãos portugueses ou de origem portuguesa". O Estado Islâmico é mesmo apelidado de uma "máquina propagandística".

Os pedidos de ajuda internacional relacionados com o terrorismo aumentaram em 2015. Foram abertos 118 processos (em 2014 foram 56), destes 106 tiveram origem nos países europeus que estão integrados na rede Europol e 12 da Interpol.

Portugal é visto como um país que pode servir de local de passagem e, por isso, as autoridades portuguesas recebem pedidos de informação para assim tentar controlar a passagem de pessoas suspeitas no país.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...