Se redução for de meia dúzia de cêntimos, "então que fiquem com eles"

O Parlamento aprovou hoje a redução do valor das portagens a pagar na A22,A23, A24 e A25

A comissão de utentes da A23, A24 e A25 considerou hoje "positiva" a aprovação no parlamento da redução do valor das portagens nas antigas Scut (vias sem custos para o utilizador) e espera que "não seja de poucos cêntimos".

"Qual é a redução? É porque se for uns cêntimos, na ligação de Viseu à Guarda ou da Guarda a Castelo Branco, se for por meia dúzia de cêntimos, então que fiquem com eles", frisou o porta-voz da Comissão contra as Portagens na A25, A24 e A23, Francisco Almeida.

Cerca de 40 pessoas, vindas de Castelo Branco, Viseu, Guarda e Vilar Formoso, marcaram hoje presença nas galerias da Assembleia da República para assistirem ao debate sobre as portagens nas ex-Scut, quatro anos depois de as autoestradas A22, A23, A24 e A25 terem sido portajadas.

Os cinco diplomas apresentados pelo PCP e os cinco do BE para a abolição das portagens naquelas vias foram rejeitados, bem como a proposta do CDS-PP para a redução em 50% das portagens na Via do Infante (A22) até estarem concluídas as obras na Estrada Nacional 125, a proposta do PEV para o fim das portagens na Autoestrada Transmontana (A4) e a do PSD para a revisão do sistema de cobrança de portagens nas ex-Scut.

Apenas o projeto de resolução apresentado pelo PS para a redução do valor das portagens nas quatro autoestradas foi aprovado, com o voto favorável do PS, do PCP, do BE, do PEV e do PAN e a abstenção do PSD e do CDS.

À saída da discussão, o porta-voz da Comissão contra as Portagens na A25, A24 e A23 considerou a solução "positiva", mas lembrou que a redução do valor das portagens deve ser significativo.

Francisco Almeida afirmou ainda que a solução encontrada resultou das ações de luta promovida pelos utentes ao longo dos anos, sublinhando, contudo, que a grande luta é a de abolir as portagens.

"É claro que qualquer pessoa da região no seu perfeito juízo acha positivo que o valor das portagens seja reduzido, mas a questão central é que, não havendo alternativa, não pode haver portagens", sustentou.

Francisco Almeida disse ainda não ter ficado surpreendido com as rejeições dos restantes projetos de resolução e apontou o voto favorável pela manutenção das portagens dos nove deputados (cinco do PSD, um do CDS e três do PS) eleitos da sua região, Viseu.

"Vim confirmar aquilo que imaginava. Os deputados do meu distrito votaram a favor das portagens. Não venham depois defender o desenvolvimento do meu distrito. Aqui votaram uma medida que nos prejudica e é injusta", sustentou.

Também a representante da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) Júlia Fernandes disse esperar uma "redução drástica" do valor das portagens.

"É impensável continuarmos a comportar este tipo de portagens. Cada vez há menos turistas, menos mobilidade, há cada vez mais empresas a fechar. Vamos esperar para ver qual é o valor da redução, mas que seja drástica", sustentou.

As portagens na A22 (que atravessa o Algarve), na A23 (Torres Novas-Guarda), na A24 (Viseu-Vila Real) e na A25 (Aveiro-Vila Formoso) começaram a ser cobradas em dezembro de 2011, sob a liderança do Governo PSD/CDS, que tomou posse em junho desse ano, sucedendo a um executivo socialista.

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