Relatório foi "fabricado", acusa ministro. Mas não assume queixa ao MP

Marcelo admitiu "uma preocupação legítima" com o alegado relatório das secretas militares, mas deixou de ter "razão de ser", depois dos desmentidos oficiais

O ministro da Defesa admitiu que o alegado relatório das secretas militares sobre o caso de Tancos, noticiado pelo Expresso, tenha sido "fabricado" e que possa existir "objetivos políticos" na sua divulgação. No entanto, quando questionado pelo DN sobre que indícios concretos possui e se fez queixa ao Ministério Público, o gabinete de Azeredo Lopes responde que "não há mais para dizer" .

O documento, que o Expresso garantiu ser verdadeiro, elogia o Presidente da República e faz duras críticas à atuação do ministro da Defesa, acusando-o de atuar com "ligeireza, quase imprudente", sendo-lhe apontadas "declarações arriscadas e de intenções duvidosas" e uma "atitude de arrogância cínica" na condução do processo. O relatório, que terá 63 páginas, avançava também com cenários em relação ao roubo do material de guerra, conhecido a 29 de junho passado, apontando como mais prováveis o "tráfico de armas para África, em concreto Guiné-Bissau ou Cabo Verde, ou um assalto promovido por mercenários portugueses contratados, ou ainda por grupos jihadistas".

O semanário também escreveu que o relatório tinha sido produzido para a Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ, responsável pela investigação criminal, e para o Serviço de Informações de Segurança (SIS), o que não foi confirmado por estes organismos, nem pelo MP, titular do inquérito, conforme já noticiou o DN.

No sábado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas desmentiu "categoricamente" que o relatório tivesse sido produzido pelas secretas militares, desmentido esse reforçado pelo próprio primeiro-ministro. "Não sei a que documento se refere o jornal. Sei que não é de nenhum organismo oficial do Estado português", disse Costa.

Ontem foi a vez do ministro da Defesa: "sabemos que não há nenhum relatório que tenha sido produzido pelos serviços de informações, quaisquer que eles sejam. E é importante saber quem foi, com que motivação foi fabricado esse documento, falsamente atribuído aos serviços de informações", afirmou José Azeredo Lopes. O ministro considerou ainda "muito peculiar" como "é que aparentemente o PSD parecia conhecer este documento falsamente apresentado como sendo das "secretas"" e não exclui que existam objetivos políticos na sua divulgação. O DN pediu um comentário ao PSD sobre estas alegações, mas não recebeu resposta até ao fecho da edição.

Entretanto, Marcelo Rebelo de Sousa confessou hoje ter ficado com "uma preocupação legítima" com o relatório noticiado no sábado atribuído aos serviços de informações militares, mas que, depois das explicações, "deixou de ter razão de ser". "Aquilo que era uma preocupação legítima do Comandante Supremo das Forças Armadas deixou de ter razão de ser" depois de ter recebido as explicações do Estado-Maior-General das Forças Armadas e dos serviços de informações, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no final da Festa do Livro, no Palácio de Belém, em Lisboa.

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