PSP forma 800 polícias para combater terrorismo

Agentes estão a receber formação das duas mais importantes entidades europeias para sinalizar indícios de radicalização

A PSP está a apostar na formação de agentes em técnicas de deteção de fenómenos de extremismos violentos como o terrorismo. Saber identificar símbolos, atitudes, expressões e comportamentos que possam indiciar um processo de radicalização é o objetivo. O foco agora está nos recrutamentos jihadistas: os "sintomas" associados a este terrorismo de inspiração religiosa fazem parte desta formação.

Já receberam especialização cerca de uma centena de agentes e até ao fim do ano haverá 200 peritos. A meta é que todos os polícias que estão envolvidos no policiamento de proximidade de grandes centros urbanos - da competência da PSP e que é onde se encontra grande parte dos alvos de maior risco de atentados - fiquem capacitados com a especialidade. Ao todo, são 886 polícias que se vão tornar peritos na matéria, atentos mesmo a pequenos sinais de radicalização.

O diretor do Departamento de Informações Policiais da PSP, Luís Fiães Fernandes, que tem coordenado estas ações, revela que "o módulo de fenómenos extremistas é parte integrante, desde 2014, do curso de Formação de Formadores em Policiamento de Proximidade". Este projeto nasceu, portanto, ainda antes de acontecerem os recentes atentados da França e da Bélgica, numa iniciativa que partiu da Polícia Judiciária (PJ) e foi na altura noticiada pelo DN. Peritos estrangeiros em contraterrorismo, da rede de sensibilização para a radicalização (RAN-Radicalization Awarness Network), financiada pela Comissão Europeia, estiveram em Portugal numa ação de formação organizada pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ, seminário em que também participaram outras forças e serviços de segurança.

Já em 2012, noutra iniciativa discreta, a PSP buscou conhecimento junto dos responsáveis do projeto CoPPRa (Community Policing Preventing Radicalisation and Terrorism), igualmente financiado pela Comissão Europeia e que também trouxe especialistas a Portugal.

Já foram formados mais de uma centena de polícias. Até ao final do ano serão 200

Um guia de bolso com orientações para a deteção de sinais de extremismos violentos foi um dos conteúdos que os peritos do projeto de policiamento preventivo da radicalização e terrorismo nas comunidades (CoPPRa) deixaram à PSP. E dão nota disso no seu site, numa síntese sobre as ações de formação nos vários Estados membros. "A PSP colocou quer o manual para os formadores quer o guia de bolso na intranet e estão disponíveis para mais de 20 mil polícias", escreve o CoPPRa.

A partir destas ações, a PSP replicou essa formação por formadores e estes, por sua vez, multiplicaram, nos últimos quatro anos, esses conhecimentos nos respetivos comandos. "O resultado está à vista", sublinha Fiães Fernandes. "Fizemos uma grande aposta na sensibilização para os casos de radicalização de determinados indivíduos ou comunidades. Fizemos formação de formadores no exterior, em linha com as boas práticas identificadas por duas das mais importantes organizações que trabalham nestas matérias, como são o CoPPRa e a RAN", assume o superintendente.

A formação, explica, "é principalmente para os polícias de proximidade, que são quem contacta diretamente os indivíduos ou comunidades vulneráveis que correm maior risco de radicalização. O objetivo é detetar, através do reconhecimento de certos indicadores (emblemas, alcunhas, tipo de roupa utilizada, discurso, por exemplo), e encaminhar para as entidades competentes que possam ter soluções. Por exemplo, as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, que são nossos parceiros, tendo em conta que, como é sabido, os alvos mais vulneráveis à radicalização são os jovens".

Os polícias vão estar atentos não só a potenciais jihadistas, mas a todos os sinais indicadores de outros "fenómenos de extremismo violento, da direita à esquerda", afiança o oficial superior da PSP. "Apesar de não haver um padrão, é possível definir algumas fases de um processo de radicalização e, através disso, saber identificar indicadores e ter as respostas possíveis", refere.

Fiães Fernandes lembra que o que dizem as "boas práticas internacionais é que a intervenção nestes processos tem de ser multidisciplinar. Em regra nem passa por uma solução policial. A polícia aqui funciona mais como alguém que deteta e encaminha para quem possa contribuir para uma solução".

Os conteúdos quer da rede de sensibilização para a radicalização quer do projeto de policiamento preventivo da radicalização e terrorismo nas comunidades foram devidamente adaptados à realidade portuguesa. "Não temos comunidades de risco tão grandes como aquelas que existem em alguns países onde os projetos têm estado a ser implementados", justifica o responsável. Fiães Fernandes garante que "nenhum caso foi ainda identificado" pelos polícias já formados.

Como terrorismo está no centro das preocupações, a PSP não quer limitar a formação sobre este tema aos polícias.

"Todos devem poder ter conhecimentos para compreender o fenómeno do terrorismo, conhecer o enquadramento legal, nacional e internacional. Com esse objetivo organizamos um "curso intensivo de contraterrorismo no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna na PSP, aberto a qualquer pessoa", diz.

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