Professores criticam realização de exames na Sertã após os fogos

"Consternação". Sindicato diz ter recebido queixas de professores após decisão de retomar atividades e realizar prova no dia 21. Ministério garante que respeitou a vontade das escolas

A Sertã integrou a lista de concelhos que, no início da semana, interromperam as atividades educativas devido aos incêndios, mantendo-se as escolas abertas apenas para dar apoio aos alunos e pais que as procurassem. Mas na quarta-feira, numa decisão comunicada de véspera ao corpo docente, a secundária local realizou os exames nacionais previstos (Física e Química A, Geografia A e História da Cultura e das Artes). Uma decisão que, segundo Dulce Pinheiro, coordenadora distrital de Castelo Branco do Sindicato de Professores da Região Centro, gerou "consternação" entre os professores.

"Não compreendiam como é que os alunos poderiam estar em condições anímicas, psicológicas, até cognitivas, para poderem desempenhar um papel que já por si envolve alguma ansiedade", relata a dirigente sindical, que não esteve na escola mas confirma ter recebido contactos de professores queixando-se desta decisão. No dia 21, A Sertã já tinha saído da lista de concelhos com atividades suspensas. Mas Dulce Pinheiro defende que isso não impedia que os alunos tivessem "pais, tios, avós e primos" em áreas onde o combate às chamas prosseguia. "Ainda podemos entender (a decisão de retomar) as provas aferidas, que não contam para a avaliação. É uma avaliação do sistema. Mas, mesmo assim, fazê-la nestas condições desvirtua os resultados", considera. "Não estavam em condições de mostrar cabalmente as suas competências. E nos exames ainda é pior. Agrava-se, claro."

Num ofício de dia 20 - ao qual o DN teve acesso -, o diretor da Secundária da Sertã informou os colegas de que as atividades seriam retomadas, nomeadamente as provas, atribuindo esse passo a uma "decisão ministerial".

Questionado pelo DN, o Ministério da Educação garante no entanto que não impôs qualquer decisão a esta ou a qualquer outra escola das áreas afetadas pelos fogos. "As decisões das escolas, que são as que tem as melhores condições para avaliar o que é possível e necessário, têm sido respeitadas, em diálogo com o Ministério da Educação", diz o gabinete do ministro Tiago Brandão Rodrigues. "Assim foi também com a Sertã, cujo diretor apresentou as suas intenções e necessidades", acrescenta.

Não foi possível saber o número exato de alunos desta secundária que realizaram provas, mas, ao que o DN apurou, o número terá sido relativamente reduzido.

200 vão fazer provas na 2ª fase

Quanto aos estudantes que não fizeram as provas noutra áreas afetadas pelos incêndios - Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Góis -, poderão fazê-las na 2.ª fase, com as mesmas condições - nomeadamente em termos de candidatura ao ensino superior - das provas da 1.ª fase.

De acordo com o Ministério da Educação, há "cerca de 200 alunos" nessa situação. "São situações muito particulares - e em alguns casos muito delicadas -, que têm vindo a ser acompanhadas num contacto estreito e personalizado entre os diretores e o Júri Nacional de Exames", conta.

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