Presidente da Raríssimas demite-se

Paula Brito e Costa disse que está a ser vítima de uma "cabala" e que a sua presença está a afetar a instituição

A presidente da Raríssimas demitiu-se na sequência do escândalo de gestão danosa da instituição denunciado por uma reportagem da TVI.

Paula Brito e Costa disse ao Expresso que sai porque a sua presença está a afetar a instituição. "Tenho de sair. Esta é uma cabala muito bem montada".

"Deixo à Justiça o que é da Justiça, aos homens o que é dos homens e ao meu país uma das maiores obras, mas mesmo assim vou saio. Presa só estou às minhas convicções", acrescentou a presidente da Raríssimas, que alegadamente usou subsídios públicos e dinheiro de donativos para fazer vida de luxo.

Paula Brito e Costa disse ao Expresso que sugeriu ao ministro uma suspensão temporária de funções, mas que essa solução não está contemplada para as IPSS e que por isso sai.

A TVI divulgou no sábado uma reportagem sobre a gestão da Raríssimas - Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras, financiada por subsídios do Estado e donativos. A investigação mostra documentos que colocam em causa a gestão da instituição de solidariedade social, nomeadamente da sua presidente, Paula Brito e Costa, que alegadamente terá usado o dinheiro em compra de vestidos e gastos pessoais.

A reportagem da TVI falou ainda com o atual secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que foi consultor da Raríssimas, que disse em entrevista ao canal, que o que fez foi uma colaboração técnica e que nunca participou em decisões de financiamento. Entretanto, esta tarde, o gabinete do primeiro-ministro informou que António Costa aceitou o pedido de exoneração" deste governante.

Também a deputada do PS Sónia Fertuzinhos é referida pela reportagem como tendo feito uma viagem paga pela Raríssimas. Citada pelo Observador, a deputada afirmou que viajou para uma conferência na Suécia da Organização Europeia para as Doenças Raras, mas que reembolsou a IPSS.

Esta segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República confirmou estar a investigar a associação Raríssimas desde final de novembro. O inquérito está a correr termos no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, não tem arguidos constituídos e as investigações tiveram origem numa denúncia anónima.

Também esta segunda-feira, em conferência de imprensa, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, anunciou que pediu à Inspeção-Geral do Ministério do Trabalho que avance com uma investigação à gestão e à utilização de recursos públicos pela associação Raríssimas. Já hoje, segundo o Expresso, terá estado nas instalações da associação um inspetor.

O governante garantiu que nunca recebeu "nenhuma denúncia de atos de gestão danosa" naquela instituição: "Afirmações de que fui alertado para a existência de gestão danosa na instituição não são verdade. Nunca fui informado de atos de gestão danosa".

O responsável pela pasta da Segurança Social diz que foram recebidas no ministério denúncias de irregularidades, mas que se reportavam ao "incumprimento dos estatutos" das Instituições Particulares de Solidariedade Pessoal.

Uma petição pública pedia a demissão de Paula Brito e Costa. Esta manhã, contava com mais de 10 mil assinaturas.

Antes da posição do ministério, a direção da Raríssimas divulgou um comunicado na rede social Facebook no qual diz que as acusações apresentadas na reportagem são "insidiosas e baseadas em documentação apresentada de forma descontextualizada", afirmando que as despesas da presidente em representação da associação estão registadas "contabilisticamente e auditadas, tendo sido aprovadas por todos os órgãos da direção".

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