Raríssimas. Secretário de Estado da Saúde sai do Governo

Manuel Delgado foi consultor da Associação Raríssimas e terá sido pago com dinheiros públicos

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, está de saída do Governo na sequência do escândalo com a Raríssimas. O governante foi consultor da associação e, de acordo com as denúncias vindas a público numa reportagem da TVI, terá recebido salários pagos com dinheiros de apoios do Estado àquela instituição.

Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro anunciou entretanto que aceitou o pedido de exoneração de Manuel Delgado e que para o cargo foi nomeada Rosa Zorrinho, até agora presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Licenciada em sociologia pela Universidade de Évora e com pós-graduação em administração hospitalar, Rosa Augusta Valente de Matos Zorrinho, nascida em 25 de janeiro de 1962, é natural de Avanca (Estarreja). Rosa Zorrinho era a atual presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo desde janeiro de 2016, depois de ter presidido ao conselho diretivo da Administração Regional de Saúde do Alentejo, entre 2005 e 2011, onde já tinha sido vogal entre 1996 e 2002.

De 1990 e 1996, a nova secretária de Estado foi administradora no Hospital do Espírito Santo, em Évora, responsável pela gestão dos recursos humanos, instituição onde voltou de 2002 a 2005 para administrar pelouro dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica e serviços hoteleiros. É casada com o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho.

A tomada de posse da nova secretária de Estado será esta terça-feira, às 19:30, segundo divulgou a Presidência da República. De acordo com a nota publicada no site de Belém, "o Presidente da República aceitou hoje as propostas do primeiro-ministro de exoneração, a seu pedido, do secretário de Estado da Saúde, Manuel Martins dos Santos Delgado, e de nomeação para o mesmo cargo da dra. Rosa Augusta Valente de Matos Zorrinho".

O canal televisivo TVI divulgou no sábado uma reportagem sobre a gestão da Raríssimas - Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras, financiada por subsídios do Estado e donativos. A investigação mostra documentos que colocam em causa a gestão da instituição de solidariedade social, nomeadamente da sua presidente, Paula Brito e Costa, que alegadamente terá usado o dinheiro em compra de vestidos e gastos pessoais. Brito e Costa apresentou entretanto a demissão.

A reportagem da TVI falou ainda com o atual secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que foi consultor da Raríssimas, que disse em entrevista ao canal, que o que fez foi uma colaboração técnica e que nunca participou em decisões de financiamento.

Também a deputada do PS Sónia Fertuzinhos é referida pela reportagem como tendo feito uma viagem paga pela Raríssimas. Citada pelo Observador, a deputada afirmou que viajou para uma conferência na Suécia da Organização Europeia para as Doenças Raras, mas que reembolsou a IPSS.

Antes da posição do ministério, a direção da Raríssimas divulgou um comunicado na rede social Facebook no qual diz que as acusações apresentadas na reportagem são "insidiosas e baseadas em documentação apresentada de forma descontextualizada", afirmando que as despesas da presidente em representação da associação estão registadas "contabilisticamente e auditadas, tendo sido aprovadas por todos os órgãos da direção".

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