Marcelo recusa "bate papo" sobre relações com Governo

Presidente diz que aos portugueses não interessam palavras mas os factos

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recusou hoje comentar as declarações do primeiro-ministro, António Costa, sobre as relações entre os dois órgãos de soberania, dizendo que o que interessa são factos e não "bate papo".

"Eu já vos disse que o que interessa aos portugueses agora são, não palavras, mas factos, que é tratar das vitimas da tragédia", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, após ser questionado sobre as declarações de António Costa.

Para o chefe de Estado, o importante "não é diz-se, diz-se, não é 'bate papo', é factos, tratar das vítimas da tragédia para não haver mais tragédia nenhuma, mais nenhuma".

Costa mostrou-se otimista quanto a continuidade da "cooperação exemplar" com o Presidente.

O primeiro-ministro negou hoje qualquer "abalo" na relação com o Presidente da República e mostrou-se otimista de que a "cooperação exemplar" vai manter-se.

"Acho que aquilo de que o país precisa é que os órgãos de soberania continuem a fazer o que têm feito ao longo destes dois anos, que é ter uma cooperação exemplar entre si, contribuindo para um bom relacionamento institucional, porque esse tem sido um dos fatores mais importantes da motivação dos portugueses", sublinhou António Costa, respondendo a uma pergunta dos jornalistas sobre se a relação entre Governo e Presidente da República saía afetada dos incêndios.

Questionado pela comunicação social se já tinha recuperado do "choque" das palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa frisou que tem "nervos de aço" e, além disso, é "um otimista, às vezes irritante, mas sempre otimista".

O líder do executivo frisou que tem "a certeza" que se vai prosseguir "aquilo que os portugueses têm apreciado muito da parte do Presidente da República, da parte da Assembleia da República, da parte do Governo, que é um excelente esforço de cooperação institucional".

Marcelo Rebelo de Sousa prossegue hoje a visita ao grupo oriental do arquipélago, que começou na quarta-feira e termina no sábado.

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

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