"Posição do partido sobre OE está longe de ser a de Silva Peneda"

O vice-presidente do partido afirma que o partido não está alinhado com a posição de um do "ministros-sombra" de Rui Rio, Silva Peneda, que defendeu que o PSD deve negociar com o PS se o OE não for viabilizado

Salvador Malheiro afirmou nesta sexta-feira que a posição do partido sobre o Orçamento "está longe de ser" a de Silva Peneda, que admitiu que os sociais-democratas viabilizem o documento caso a esquerda não o faça.

"Naturalmente que não representa a posição oficial do PSD, é a posição de uma referência da social-democracia, que falou a título individual. A posição do PSD está longe de ser essa veiculada pelo dr. Silva Peneda", afirmou o vice-presidente do partido, em declarações à Lusa.

O vice-presidente social-democrata salientou que "o PSD, a seu tempo, depois de analisar o orçamento, irá tomar uma posição".

"Não somos a favor só por ser a favor, nem contra só por ser contra", acrescentou, remetendo para depois da apresentação do Orçamento do Estado para 2019 essa análise.

Na quinta-feira, em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, o coordenador do Conselho Estratégico Nacional do PSD para a área da Solidariedade e Sociedade de Bem-Estar afirmou que se o BE e o PCP não viabilizarem o OE - o que acredita que vai acabar por acontecer - "está na mão do PSD fazer cair o Governo ou não".

"Sou a favor da estabilidade política e acho que os mandatos devem ser cumpridos. É esta a minha leitura", afirmou o antigo ministro do Emprego de Cavaco Silva.

A entrevista de Silva Peneda gerou algumas reações críticas nas redes sociais dentro do PSD, casos do ex-vice-presidente da bancada social-democrata Carlos Abreu Amorim -- que pediu a Rui Rio para esclarecer a sua posição -- ou do antigo secretário-geral dos Trabalhadores Sociais-Democratas, Arménio Santos, que considerou "impensável" uma eventual viabilização do Orçamento.

A última vez que Rui Rio falou sobre o próximo Orçamento do Estado foi em 09 de maio, para recusar que os sociais-democratas possam, em nome do valor da estabilidade política, viabilizar um documento que considerem contrário aos interesses do país.

"Se um Orçamento do Estado for completamente contrário ao que entendemos para Portugal, obviamente que preferimos que não haja estabilidade e se consiga um documento melhor do que, em nome da estabilidade, ter um documento mau", afirmou então Rui Rio, depois de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter avisado, numa entrevista, que pode antecipar as eleições legislativas se o Orçamento for chumbado.

Na altura, Rio recordou ainda o histórico dos últimos anos, em que o PSD votou sempre contra os orçamentos do atual Governo socialista, defendendo que é à maioria parlamentar que "compete continuar a aprovar um Orçamento de Estado que se supõe que vai na mesma linha".

Questionado então se o OE 2019 for na mesma linha dos anteriores o Governo não poderá contar com o voto do PSD, Rio respondeu: "Isso é evidente".

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