Plagiado estudo sobre apoios sociais aos militares

Ministério Público acusa autor de estudo pedido pelo Ministério da Defesa sobre reforma do apoio social aos militares

O autor do estudo sobre a reestruturação dos apoios sociais aos militares das Forças Armadas (FA), pedido em 2014 pelo Ministério da Defesa, cometeu "um crime de contrafação" ao plagiar uma tese de mestrado sobre o tema, acusa o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

O estudo em causa foi encomendado pela então secretária de Estado da Defesa Berta Cabral a Carlos Alberto Correia Andrade e depois colocado na gaveta, devido aos alertas quanto à eventual existência de plágio e por não dar contributos novos, disseram fontes ouvidas pelo DN.

Segundo dados a que o DN teve acesso, o inquérito do DIAP de Lisboa detetou três dezenas de excertos que o autor do estudo "reproduziu integralmente ou que previamente alterou, substituindo frases utilizadas" pela autora da tese de mestrado "por expressões sinónimas".

Berta Cabral explicou esta quarta-feira ao DN que o estudo foi encomendado "a título gracioso", mas foi abandonado porque "não tinha qualquer valor acrescentado" a um trabalho já redigido sobre a matéria "por uma técnica" do Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA).

Acresce, segundo Berta Cabral, que os responsáveis do IASFA detetaram a existência de passagens copiadas no estudo entregue por Carlos Alberto Correia Andrade, que o DN não conseguiu contatar.

O advogado do arguido, Rocha Alberto, limitou-se a dizer ao DN que "está em cima da mesa não continuar" a representar Carlos Correia Andrade neste processo.

A tese de mestrado plagiada, de Margarida Maria de Almeida Carvalho, foi apresentada em 2013 com o título "Dos Serviços Sociais das Forças Armadas ao Instituto de Ação Social das Forças Armadas, IP: transformações e desafios".

O estudo encomendado por Berta Cabral visava formular o Plano de Reestruturação do apoio social aos militares das Forças Armadas.

"Munido da dissertação de mestrado da denunciante, a qual chegou à sua posse em circunstâncias não concretamente apuradas, o arguido redigiu um documento datado de setembro de 2014, intitulado 'Relatório de Análise Diagnóstica às Atividades Desenvolvidas pelo IASFA', em quer abordava a análise e diagnóstico às respostas de ação social" daquele instituto, escreveu o DIAP.

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