PJ tem apartamentos para arrependidos de terrorismo

A revelação foi feita pelo diretor nacional da PJ, Almeida Rodrigues, no seu discurso no congresso dos inspetores deste corpo especial de polícia, que decorre em Braga

A PJ tem dois apartamentos, na sua sede em Lisboa, preparados para alojar arrependidos de organizações terroristas que queira colaborar com as investigações das autoridades nacionais. A revelação veio do próprio diretor nacional da Judiciária, na sua intervenção esta manhã no congresso da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC). Almeida Rodrigues fez uma retrospetiva daquilo que foi, ao longo das últimas décadas, o trabalho da PJ na prevenção e no combate ao terrorismo, recordando o "sucesso das investigações" no eliminação de grupos como as Brigadas Revolucionárias, na década de 70, ou as FP 25,nos anos 80. Recordou como ,já nessa altura, a PJ "não estava apetrechada nem como meios materiais e humanos, mas soube dar uma resposta exemplar".

Com a criação da Direção Central de Combate ao Banditismo (DCCB), que deu origem à atual Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT), formada há 10 anos, "fomos buscar os melhores investigadores de outras unidades, como o roubo ou os homicídios, e, mais uma vez temos sabido estar à altura". Almeida Rodrigues salientou os casos, já investigados pela UNCT, dirigida por um dos históricos da PJ, Luís Neves, do financiamento ao IRA, através de contrabando de tabaco que passava por Portugal, ou a base logística da ETA desmantelada no nosso país em 2010 (a casa com material explosivo em Óbidos). "Passados alguns meses desta operação a organização terrorista ETA, começava a capitular", frisou.

A referência aos apartamentos veio quando Almeida Rodrigues falava sobre um dos modos de atuação da PJ, no que diz respeito à investigação do terrorismo: explorar as fragilidades das organizações como o daesh. Uma delas, assinalou o diretor nacional, deve-se ao facto de se tratar de uma organização "autocrática, na qual as questões internas são tratadas sem direitos de contraditório, que acabam muitas vezes em execuções sumárias de membros e onde há muito medo de infiltrações das polícias. É aqui que entramos, tal como fizemos das FP-25". Destacando a importância dos testemunhos dos "arrependidos" destas organizações para as investigações criminais, Almeida Rodrigues anunciou que "na sede da PJ estão preparados dois apartamentos para este arrependidos poderem ficar instalados em segurança até que o programa de proteção de testemunhas possa ser ativado". Ao que o DN apurou, estas instalações ainda não tiveram inquilinos.

Ainda para sustentar a atenção especial que a PJ dá ao terrorismo, Almeida Rodrigues salientou um despacho, assinado pelo próprio punho, ordenando à unidade de vigilâncias que dê prioridade a estes casos, em caso de ameaça, à frente dos crimes de corrupção.

Na presença da secretária de Estado da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro, o diretor nacional da PJ aproveitou para lembras a "necessidade de rejuvenescimento dos quadros da PJ". Segundo este alto responsável "nos últimos nove anos entraram só 326 novos inspetores. E fez algumas contas: "A PJ tem neste momento 2421 pessoas nos quadros, 60% das quais são investigadores. A massa salarial é da ordem dos 45 milhões de euros. Ora segundo o Gabinete de Recuperação de Ativos, só no últimos cinco anos foram apreendidos e arrestados pela PJ bens no valor de 295 milhões de euros. Só com estes arrestos e apreensões a PJ pagou os salários dos seus funcionários"

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