PJ faz buscas na casa e gabinete do juiz Rui Rangel

A PGR adianta que em causa estão suspeitas de crimes de "recebimento indevido de vantagem, ou, eventualmente, de corrupção, de branqueamento de capitais, tráfico de influência e de fraude fiscal".

A casa e a o gabinete do juiz desembargador Rui Rangel está a ser alvo de buscas da Polícia Judiciária. A operação, que também decorre no Tribunal da Relação, está a ser acompanhada por um juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça e pelo antigo Procurador-Geral da República, Souto Moura, diz a revista Sábado.

Em resposta à agência Lusa, a Procuradoria-Geral da República confirma as buscas, dizendo que decorrem "no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público junto do Supremo Tribunal de Justiça, com a coadjuvação de magistrados do DCIAP [Departamento Central de Investigação e Ação Penal]".

A PGR adianta que em causa estão suspeitas de crimes de "recebimento indevido de vantagem, ou, eventualmente, de corrupção, de branqueamento de capitais, tráfico de influência e de fraude fiscal".

A ainda mulher de Rui Rangel (estão separados há vários anos), Fátima Galante, também juíza desembargadora, será outro dos alvos das buscas desta manhã, que também passaram, de acordo com a Sábado, pela SAD do Benfica, devido à proximidade do juiz desembargador com o presidente das águias, Luís Filipe Vieira.

O Benfica já confirmou as buscas, mas realçou que estas se realizaram "no âmbito de uma investigação que não tem por objeto o clube".

Segundo o Correio da Manhã, foram detidos, esta manhã, o advogado Santos Martins e o filho, amigos do juiz. De acordo com esta mesma fonte, também decorrem buscas na casa do presidente do Benfica.

Esta operação decorre de uma outra, a operação Rota do Atlântico, que tem José Veiga como suspeito. Em outubro de 2016, a Procuradoria-Geral da República revelou que foi aberta uma investigação ao juiz desembargador, com origem numa certidão do processo "Rota do Atlântico", na sequência de uma notícia do Correio da manhã segundo a qual Rui Rangel era suspeito de receber fortuna do empresário de futebol, arguido naquele processo relacionado com crimes de corrupção no comércio internacional, fraude fiscal e branqueamento de capitais e tráfico de influência.

No âmbito da operação Rota do Atlântico, desencadeada a 03 de fevereiro de 2016, foram constituídos vários arguidos, entre eles José Veiga, Paulo Santana Lopes, Manuel Damásio e a advogada Maria de Jesus Barbosa.

De acordo com a investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, José Veiga e Paulo Santana Lopes terão, alegadamente, atribuído vantagens indevidas a titulares de cargos políticos do Congo Brazzaville para, em troca, obterem contratos de obras públicas e de construção civil para a holding americana da multinacional brasileira Asperbras.

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