Pedrógão Grande exige saber o que "não correu bem"

A Câmara de Pedrógão Grande aprovou hoje uma moção, por unanimidade, em que exige o apuramento "do que não correu bem" com o incêndio que começou no concelho e que causou a morte de 64 pessoas.

"Fazer um balanço do que não correu bem é fundamental para que no futuro se possa fazer a prevenção possível e evitar tragédias, grandes ou pequenas", refere o documento, aprovado na primeira reunião do executivo municipal, liderado por Valdemar Alves, realizada depois do fogo que deflagrou em Escalos Fundeiros, no dia 17, e que destruiu extensas áreas florestais do município e da região.

Antes da ordem do dia, o presidente e os vereadores, três eleitos do PSD e dois do PS, cumpriram um minuto de silêncio "em memória de todas as vítimas, pedroguenses ou não, que perderam a vida nesta tragédia", em que mais de 200 pessoas ficaram feridas.

O executivo expressa "profunda consternação pela devastação a que este e outros municípios vizinhos foram sujeitos, há quase duas semanas", além de agradecer "a todas as pessoas singulares ou coletivas, instituições particulares ou públicas, membros do Governo ou do poder local e central", bem como bombeiros e funcionários da autarquia, entre outros.

"A enorme onda de solidariedade nacional tem demonstrado que os portugueses são um povo que honra as suas gentes e sabe dar ao seu irmão", sublinha.

Para a Câmara local -- cujo presidente, Valdemar Alves, eleito em 2013 pelo PSD, vai disputar as autárquicas de 01 de outubro em lista do PS, enquanto o antecessor, o social-democrata João Marques, provedor da Misericórdia de Pedrógão Grande, se candidata pelo PSD -- "está a chegar a hora de reconstruir".

O tempo é também "de planear o futuro deste concelho, de o tornar mais forte", considera.

"Replantar, reconstruir habitações, repor alfaias, dar vida a este concelho e levantar empresas e postos de trabalho, para que as muitas vidas suspensas sejam de novo trazidas à vida, será a palavra de ordem", adianta.

Segundo a moção, este trabalho terá de ser "pensado e planeado, mas rápido para que a vida se reponha e a economia se relance".

No período destinado ao público, munícipes colocaram questões diversas relacionadas com as consequências do fogo, designadamente no acesso às povoações, na destruição de propriedades urbanas e rústicas, nas comunicações e operações de socorro durante o incêndio, sobretudo no primeiro.

A ex-emigrante Amélia Simões e o deputado municipal Fernando Antunes, do PS, quiseram ser esclarecidos sobre o funcionamento do Centro de Saúde no dia 17, ao que Valdemar Alves respondeu, revelando ter feito diligências junto do diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte, Avelino Pedroso, que viabilizou o funcionamento da unidade local de saúde durante a noite.

Os incêndios que deflagraram na região Centro, no dia 17, provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foram dados como extintos no sábado.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios - iniciados em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, e em Góis, no distrito de Coimbra - corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

O incêndio de Góis, que também começou no dia 17, atingiu ainda Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais.

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