PCP denuncia "recusa" de escola secundária em receber alunos autistas

Estabelecimento alega "falta de uma sala", recusando abrir uma Unidade de Ensino Estruturado para receber os seis estudantes, segundo Carlos Almeida

O PCP denunciou a "recusa" da Escola Secundária Carlos Amarante, em Braga, em receber um grupo de estudantes autistas por "alegada falta de espaço", não permitindo assim que "exerçam o direito consagrado na lei" de prosseguir com os estudos.

O vereador eleito pela CDU na autarquia de Braga, Carlos Almeida, disse hoje a jornalistas que há um grupo de seis alunos com autismo, com idades entre os 16 e os 18 anos, a frequentar a Escola EB 2,3 de Gualtar que já devia ter transitado para a escola secundária do agrupamento, a Carlos Amarante, mas que este estabelecimento de ensino, alegando "falta de uma sala", recusa-se a abrir uma Unidade de Ensino Estruturado para receber os seis estudantes.

Contactada pela Lusa, a diretora do Agrupamento no qual estão inseridas a escola EB2,3 e a secundária Carlos Amarante, Hortense Santos, afirmou que esta é uma "questão que está a ser resolvida com a Direção Geral de Estabelecimentos Escolares de Serviços da Região Norte", não adiantando mais pormenores.

"Entendemos que não faz sentido que jovens com 18 anos se arrastem na frequência escolar, de ano para ano, numa escola básica, desde logo fora do contexto e quando têm, ainda por cima, níveis de aproveitamento satisfatório", afirmou Carlos Almeida.

Segundo o vereador comunista, "a resposta que se conhece da Carlos Amarante é que não há espaço físico" nas instalações da escola.

"É uma resposta que não é compreensível porque falamos de uma escola que foi recentemente remodelada por vários milhões. Nãos nos parece que não haja condições para que uma única sala que possa ser atribuída", disse.

Além disso, salientou, "é um direito consagrado lei, que assiste aqueles jovens frequentarem o ensino secundário" pelo que, "não tem lógica nem é justo que arrastem a sua educação, repitam conteúdos e não evoluam na sua formação. É um direito que lhes está a ser negado".

"Esperamos que esta recusa em receber estes alunos não tenha escamoteado um qualquer receio de que eles possam prejudicar a posição da escola nos rankings escolares", adiantou.

A Lusa contactou o Ministério da Educação que remeteu para terça-feira qualquer esclarecimento sobre a questão.

Exclusivos

Premium

Alentejo

Clínicos gerais mantêm a urgência de pediatria aberta. "É como ir ao mecânico ali à igreja"

No hospital de Santiago do Cacém só há um pediatra no quadro e em idade de reforma. As urgências são asseguradas por este, um tarefeiro, clínicos gerais e médicos sem especialidade. Quando não estão, os doentes têm de fazer cem quilómetros para se dirigirem a outra unidade de saúde. O Alentejo é a região do país com menos pediatras, 38, segundo dados do ministério da Saúde, que desde o início do ano já gastou mais de 800 mil euros em tarefeiros para a pediatria.