Paulo Macedo vai ser o próximo presidente da CGD

Governo ainda analisou perfis de banqueiros portugueses a exercer funções em Londres. Equipa deverá contar com Rui Vilar e com José João Guilherme

Paulo Macedo é o nome escolhido pelo governo para a liderança da Caixa Geral de Depósitos. O ex-ministro da Saúde e antigo administrador do BCP começou por declinar o convite do executivo, que chegou a sondar banqueiros a exercerem funções em Portugal e em Londres para o cargo. Mas, perante a insistência do governo, aceitou o cargo.

A composição da nova administração do banco do Estado segue ainda hoje para o Banco de Portugal, com Paulo Macedo na frente, confirmou fonte do governo ao DN/Dinheiro Vivo. Cumpre-se assim o prazo de uma semana prometido por António Costa, que não quis deixar o banco sem rumo por muito tempo, depois da demissão de António Domingues.

Ao que se sabe o processo poderá ser demorado, uma vez que cabe ao Banco de Portugal analisar o percurso e o currículo do gestor e, só depois, enviá-lo para o Banco Central Europeu, que terá de se pronunciar sobre a idoneidade da equipa de administração. O processo de recapitalização e de reestruturação do banco pode, mesmo assim, servir de atenuante e fazer apressar o processo. António Domingues comprometeu-se a ficar até ao final do ano, ou até a nova equipa tomar posse, cumprindo ainda a primeira parte do plano de recapitalização.

O DN/Dinheiro Vivo sabe que o governo esteve muito ativo ao longo da última semana e que foram analisados, inclusivamente, perfis de alguns banqueiros que exercem atualmente funções em Londres para a substituição de António Domingues. Miguel Azevedo, do Citigroup, foi mesmo sondado nos últimos dias para a liderança do banco público.

António Costa também procurou perfis em Lisboa: depois da análise dos currículos de Carlos Tavares, ex-presidente da CMVM, e de Nuno Amado, presidente do Millennium BCP - como o DN/Dinheiro Vivo tinha avançado -, nesta semana estiveram em cima da mesa os perfis de João Costa Pinto, que assume funções de auditoria no Banco de Portugal e foi líder da Caixa Agrícola, e de António Ramalho, atual CEO do Novo Banco. O primeiro poderá ainda vir a integrar a nova equipa já que, ao que o DN/Dinheiro Vivo apurou, estará de saída do Banco de Portugal.

A lista de nomes que acompanhará o gestor Paulo Macedo não está totalmente fechada. Mas sabe-se que a intenção é manter Rui Vilar na administração não executiva da CGD, ficando como chairman, e que Macedo deverá ser o CEO, o presidente executivo.

Para tentar trazer um banqueiro com forte currículo e nome no mercado, como Paulo Macedo, o governo apressou-se a garantir que não iria baixar o salário do próximo gestor do banco público. Os 423 mil euros que António Domingues recebia, e que agora deverão passar para o futuro CEO do banco, deverão manter-se, mesmo com as vozes contra do presidente da República, Marcelo Rebelo Sousa, do Bloco de Esquerda e do PCP.

João Duque, economista e professor do ISEG, acredita que Paulo Macedo "tem o perfil certo e as competências" para o cargo, bem como "a capacidade negocial necessária" para assumir o lugar.

É sabido que da atual administração já três elementos executivos mostraram disponibilidade para ficar: Tiago Ravara Marques, João Tudela Martins, que vieram do BPI, e Pedro Leitão, ex-PT, que admitem ficar se o novo presidente entender. O DN/Dinheiro Vivo apurou ainda que a eles poderá juntar-se, como administrador executivo, José João Guilherme, ex-quadro do Millennium BCP e depois do Novo Banco.

Do lado dos administradores não executivos, Rui Vilar já tinha dito que só aceitou o cargo na condição de não receber vencimento e que iria "pesar as razões" para ficar.

A nova administração terá de conduzir o plano de recapitalização de 5160 milhões de euros acordado com Bruxelas. Está previsto para o breve prazo a conversão de 960 milhões de capital contingente (CoCos) em capital do banco, assim como a passagem a redução da participação da Parcaixa na Parpública, avaliada em 500 milhões de euros.

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