"Para nós, esta medida [de dar turmas à escola pública] é bem-vinda"

À frente de uma das melhores escolas públicas do país, João Bernardes Silva vai receber turmas. A concorrência no ensino secundário obrigou-o a ir buscar alunos fora da cidade

O vosso agrupamento vai receber turmas de início de ciclo que estariam entregues a privados?

Sim. Tivemos uma reunião com o delegado regional de Educação e os outros diretores de escolas das Caldas da Rainha e vamos receber turmas na EBI de Santo Onofre e na Secundária Raul Proença. São duas turmas do 5.º ano e uma do 7.º ano para a Santo Onofre e uma turma de 10.º ano para a Raul Proença.

O vosso agrupamento recebe todas as turmas cortadas no privado?

Não. As coisas ficaram divididas pelas escolas do concelho. Na secundária vamos ficar próximo da lotação máxima. Mas o estudo que foi feito à rede tem uma informação errada que é de que a EBI de Santo Onofre está no nível 5, ou seja, na lotação máxima, quando na verdade está a meio da capacidade. No limite, a escola pode receber 30 turmas e temos agora 17 a funcionar.

Então estas novas turmas não vão causar problemas de gestão nas duas escolas?

Não vai ser preciso fazer nenhum investimento. Para receber as quatro turmas que ganhámos (três na Santo Onofre e uma na Raul Proença) vamos recorrer aos professores que temos em situação de horário zero (sem componente letiva atribuída) e outras situações, como professores com horários incompletos. Além disso, as turmas que temos não estão na capacidade máxima e podem chegar até aí. Passando a ir mais alunos para a escola pública algumas turmas ficam mais completas. Este reforço não implica mais meios e vai ocupar salas vazias que temos nas escolas.

E em relação ao pessoal não docente vai ser preciso algum reforço?

Não. O único problema que temos nessa área é que temos vários funcionários de baixa prolongada e que não estão ao serviço.

O relatório do Ministério da Educação sobre a rede escolar indicava que as duas escolas do seu agrupamento estavam perto da lotação máxima. Além disso, a Raul Proença está sempre entre as melhores escolas públicas dos rankings. Tinha dificuldades em ter alunos?

Não tínhamos dificuldade. A Secundária Raul Proença sempre foi muito procurada por ser do conhecimento geral o ensino de qualidade que temos - estamos sempre entre as dez melhores escolas públicas. Mas o que começámos a notar foi que se alterou a realidade quando abriu o colégio. No 5.º e 6.º anos não havia oferta pública e depois quando os pais queriam mudar os filhos para a escola pública no 7.º ano tinham vários obstáculos. O que obrigou a escola a alargar a área de atração para as zonas vizinhas de Óbidos e São Martinho do Porto. Pas-sámos a receber alunos que vivem lá e cujos pais trabalham nas Caldas da Rainha. Perdemos alunos da cidade e ganhámos fora.

Sentiram então que o Colégio Rainha D. Leonor ficava com os alunos que podiam estar na rede pública?

Não há aqui da parte do agrupamento nenhuma intenção de causar mal-estar com ninguém. Quando o colégio abriu era só para o 2.º e 3.º ciclos, que era onde havia carência da rede, mas depois quando abriu a parte do secundário criou dificuldades às duas secundárias públicas da cidade. O que sentimos a partir daí é que nas reuniões em que eram distribuídas as turmas, as escolas públicas estavam sempre a perder e o colégio ou aumentava as turmas ou mantinha o mesmo número. Por isso, esta medida para nós é bem-vinda.

Há quanto tempo existe o colégio mais próximo?

Há cerca de 11 anos, foi ainda no governo de Santana Lopes. Nessa altura havia problemas na rede pública em receber os alunos do 2.º e 3.º ciclos. E até chegou a estar agendada a construção de uma escola pública para o local onde depois foi construído o colégio.

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