Pais juntaram-se a diretor... e fizeram uma escola nova

Colégio Verde Água, que abre portas no próximo ano letivo, custou 2,5 milhões e é um investimento conjunto de vários pais e dos donos da creche onde estes tinham os filhos

"Ainda hoje penso como me meti nesta loucura mas, em abono da verdade, foi uma daquelas coisas que surgiram quase naturalmente." A confissão é de Ricardo Calvão Silva e tem uma explicação... de 16 mil metros quadrados. Em Setembro, perto de Mafra, abre um colégio que promete não ser igual aos outros. E não é só por seguir a filosofia da escola moderna, diferente da norma. É que esta escola é um investimento conjunto entre a direção daquela que, até agora, era só uma creche e jardim-de-infância, e um grupo de pais de alunos que o frequentavam.

"Tinha o meu filho mais velho na creche e, quando chegou a altura de escolhermos a escola para o primeiro ano, havia dificuldades", conta Ricardo. "Há escolas públicas boas, com boas infraestruturas, mas sentíamos que faltava sempre alguma coisa. Sobretudo, não tinham aquele microclima que havia na creche onde estavam."

Em conjunto com um pequeno grupo de encarregados de educação com as mesmas preocupações, "na altura três ou quatro pais", começou a germinar a ideia: "Termos uma escola à nossa medida. Mas não sabíamos por onde começar. Por isso fomos falar com o João [Gavilan, diretor financeiro e um dos proprietários da creche e jardim-de-infância Verde Água].

Ao princípio, a coisa não parecia ter pernas para andar: "Disse-nos que, sozinho, não se metia nisso", recorda. Mas os interessados continuaram a aparecer e, aos poucos, foi-se formando a ideia de os próprios pais entrarem no projeto, como acionistas.

"Criámos este conceito, com esta metodologia pedagógica, para crianças até aos 6 anos, e temos tido bastante sucesso nos nove anos de existência que já temos no outro colégio que é localizado mais próximo de Mafra, na Carapinheira", conta João Gavilan. "Os pais das crianças que já frequentavam esse colégio vinham constantemente a pedir-nos para darmos continuidade porque não encontravam depois, segundo eles, uma oferta com as mesmas características de qualidade global. Muitos tinham de sair desta zona e de ir para outras áreas mais distantes."

A ideia de expandir a oferta, com uma nova escola, interessou os proprietários. Mas tinham uma condição: "Queríamos fazê-lo apenas com fundos próprios, sem recorrer a financiamento bancário."

E foi assim que, com um grupo de "sete pais", que controlam perto de 50% da nova sociedade, nasceu um projeto de raiz, com um orçamento da ordem dos 2,5 milhões de euros e uma oferta pedagógica que, para já, chegará ao 2.º ciclo.

"Ao início a ideia era termos apenas uma escola até ao quarto ano mas, entretanto, as coisas foram crescendo", explica Ricardo, cujo filho mais velho, de 11 anos, já não vai a tempo de entrar. pelo menos para já: "Há quem sugira a escola ir até ao terceiro ciclo mas nem quero falar nisso", atira. "Um passo de cada vez". Já o filho mais novo, de 7, tem lugar garantido numa das turmas do 1.º ciclo.

"É uma escola que reflete muito as expectativas dos pais", acrescenta. "Teremos hip-hop, informática, filosofia e um ateliê de mandarim", conta, explicando que apesar de ter nascido de "uma ideia romântica", a expectativa é de que seja também "um projeto sustentável. Mas o mais importante é mesmo termos um sítio onde nos sentimos confortáveis para deixarmos os nossos filhos às oito da manhã", garante.

O projeto é concebido como um espaço virado para o exterior, com muitas janelas, luz natural, jardins interiores e corredores onde, segundo João Gavilan, "os alunos não estarão apenas em momentos de lazer mas, por exemplo, para terem uma aula de matemática ou de ciências".

O objetivo é refletir o conceito da escola moderna. "Não de uma forma radical mas queremos ter como base essa metodologia", diz João Gavilan, explicando que isso passa por "o aluno estar no centro do processo ensino-aprendizagem e que as crianças aprendam com base em motivações. Queremos que tenham prazer em vir para a escola", diz, garantindo que tal não significa facilitar e que a expectativa é ter alunos com uma formação "acima da média".

A escola terá capacidade para 300 alunos e, segundo o diretor financeiro, terá propinas "abaixo da média" para este patamar.

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