Oficiais portugueses na elite da Europol contra terrorismo

A ameaça de infiltração de terroristas entre os refugiados levou a Europol a destacar para a Grécia um grupo de peritos

Os primeiros três oficiais de polícia portugueses já estão neste momento no terreno, em campos de refugiados na Grécia, junto à fronteira com a Turquia. Fazem parte da primeira equipa policial de elite de peritos em contraterrorismo que a Europol - a agência de polícia europeia - escolheu para recolher informações e identificar potenciais terroristas, ou outros criminosos, que se tentem infiltrar entre os migrantes que aguardam a resposta aos seus pedidos se asilo.

Este primeiro grupo-piloto é constituído por dez oficiais de polícia de vários países, entre os quais três são portugueses recrutados na PSP. O objetivo da Europol é formar uma equipa de 150 a 200 oficiais convidados para serem destacados nos próximos meses para o máximo de pontos quentes na Grécia, onde a pressão da chegada de refugiados vindos da Turquia é cada vez maior.

Fonte oficial da agência policial europeia explicou ao DN que "todos os candidatos foram entrevistados por oficiais da Europol antes da seleção final". O critério de escolha foi, explica a mesma fonte, polícias e investigadores "de preferência com experiência em combate ao terrorismo ou noutras investigações criminais". O DN sabe que também terão sido selecionados inspetores da Polícia Judiciária - que tem competência exclusiva no nosso país para a investigação dos casos de terrorismo - e que podem a qualquer momento ser chamados e destacados para o terreno.

Estes oficiais convidados vão reforçar a segurança das fronteiras externas da União Europeia (UE), constituindo uma segunda linha de segurança - a primeira está a ser feita pela Agência Europeia de Fronteiras (Frontex) - no processo de verificação dos migrantes, através de cruzamento das informações recolhidas localmente com as contidas nas bases de dados especializadas em contraterrorismo da Europol, mas também com outros registos criminais desta agência europeia, responsável pela cooperação entre as forças policiais dos Estados membros da UE. A troca de informações entre os países que vão receber refugiados ficará mais facilitada, acredita a Europol.

"Por razões de segurança", a fonte oficial da agência não quis adiantar a localização exata dos oficiais convidados, nem adiantar pormenores sobre o planeamento da distribuição no terreno, nem a origem dos restantes selecionados. Invocando a mesma justificação, a Europol também não adianta se os seus peritos contraterroristas já identificaram algum terrorista ou outro criminoso.

Ao que o DN apurou, a presença destes oficiais convidados, que estão sujeitos às regras das autoridades gregas, tem sido bastante discreta nos campos de refugiados por motivos de segurança. O recrutamento também obedeceu, por imposição da Europol, a regras de sigilo. O processo de candidaturas começou em junho e a seguir à seleção os polícias foram sujeitos a uma formação sobre as regras de empenhamento.

Nesta primeira fase, os oficiais estão a trabalhar nos campos de refugiados situados na linha da frente da fronteira com a Turquia, situados nas ilhas de Lesbos, Chios, Samos, Leros, Agathonisi, Calímnos, Kos e Castelorizo. Segundo dados oficiais do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, até ao passado dia 22 chegaram à Grécia por via marítima, a partir da Turquia, 166 mil refugiados neste ano (em 2015 foram 857 mil). A Grécia tem atualmente no seu território cerca de 61 mil, a maior parte dos quais sírios (48%), afegãos (25%), iraquianos (15%), paquistaneses (5%) e iranianos (3%), entre outros.

As autoridades dos países europeus que aceitaram acolher refugiados estão preocupadas com a possibilidade de organizações criminosas e grupos terroristas, designadamente do autoproclamado Estado Islâmico, tentarem entrar no espaço europeu.

Na Alemanha já foram detidos pelos menos quatro suspeitos terroristas do Daesh que estavam em centros de refugiados. Em todos os países que já receberam refugiados as forças de segurança de segurança e os serviços de informações têm trabalhado em conjunto na vigilância dos migrantes que chegam. Conforme o DN noticiou nesta semana, em Portugal acontece o mesmo.

Apesar de os refugiados que vieram para o nosso país já terem sido sujeitos a várias verificações de segurança antes de saírem dos campos em que se encontravam, na Grécia e em Itália, a Unidade de Coordenação Anti-Terrorista - onde secretas e polícias trocam informações operacionais - acompanha a situação dos refugiados. As forças que estão no terreno - GNR, PSP e SEF - fazem uma vigilância indireta ao mais de meio milhar de refugiados que estão em vários pontos do país, através das entidades responsáveis pelo acolhimento - autarquias e organizações não governamentais. Processos de integração malsucedidos tornam os refugiados mais vulneráveis a tentativas de radicalização, mesmo que não tivessem tido contactos com terroristas, e é por isso que esta é uma das prioridades na monitorização das autoridades nacionais.

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