O que sabe João Soares do mundo da Cultura?

Surpresa foi a reação dominante quando se soube que o antigo autarca de Lisboa ficava com a pasta de Cultura

O nome do ministro da Cultura foi recebido com surpresa e desencadeou reações desconfiadas nas redes sociais. Inesperado, porque outros eram dados como certos e ele próprio era suposto noutro ministério, João Soares tem a favor o trabalho na Câmara de Lisboa (eleita num acordo de esquerda), como vereador da Cultura e como presidente. Formado em Direito, tem 66 anos e cinco filhos, três do primeiro casamento e dois do atual. A política e a cultura foram o caldo familiar em que cresceu. Fundou a editora Perspectivas & Realidades em 1975 com Victor da Cunha Rego. Quando chegou à CML encontrou uma área quase inativa da gestão de Krus Abecasis. Revolucionou os serviços e criou a rede de bibliotecas, vividas como centros culturais. Num mandato em que Lisboa foi Capital Europeia da Cultura (1994), nasceram a Casa Fernando Pessoa, o Teatro Mário Viegas, a Videoteca, a Fonoteca, a Bedeteca, a Biblioteca-Museu Repú-blica e Resistência, entre outros equipamentos, e arrancou a Agenda Cultural. O Teatro S. Luiz, o Cinema São Jorge e o Museu da Cidade ganharam nova vida. Apaixonado por literatura de viagens, Soares é um grande viajante. Também em missões políticas, foram muitas as deslocações ao exterior, como eurodeputado e como membro e observador da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação Europeia). Falta saber se estas experiências, características pessoais e treino político vão tornar João Soares um bom ministro da Cultura, diante de um complexo xadrez de interesses. E se o histórico militante socialista, apoiante de Seguro, tem força para conquistar dinheiro para o setor.

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