Igreja seiscentista em risco de colapso vai ser classificada

A igreja seiscentista de Santo António, na cidade de Viana do Castelo, em risco de colapso há vários meses, está a ser alvo de um processo de classificação, a cargo da Direção-Geral do Património Cultural.

O anúncio da abertura do procedimento de classificação da igreja de Santo António, na paróquia de Santa Maria Maior, foi publicado hoje em Diário da República e estabelece, entretanto, uma zona geral de proteção de 50 metros para o edifício "em vias de classificação" e respectivos bens imóveis ali existentes.

Também conhecida como igreja do Convento de Santo António, aquele templo foi construído em 1625 sendo considerado como um exemplar único da época, descrito pelos especialistas como possuindo "características arquitetónicas muito importantes", apesar do seu avançado estado de degradação. O procedimento de classificação do templo está a partir de agora em consulta pública, durante um prazo de 15 dias úteis, segundo o mesmo anúncio.

A Câmara de Viana do Castelo revelou, em julho último, que aquele templo vai ser recuperado com fundos comunitários, através de uma candidatura apresentada pela autarquia.

Trata-se, segundo o município, de uma obra "urgente" de consolidação naquela e que envolverá um protocolo entre a Câmara de Viana do Castelo, que vai liderar o processo, e a paróquia de Santa Maria Maior, nesta cidade.

Esta será a segunda fase dos trabalhos de recuperação, após a realização de uma intervenção urgente de consolidação nas fundações suportada pelo município. Seguem-se trabalhos ao nível da cobertura, avaliados em 78 mil euros e candidatados pela Câmara ao Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), numa comparticipação esperada de 85% do total.

Segundo o pároco local, um relatório do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR) apontava em 2012 para o risco de "derrocada" ao nível da parede norte e dos telhados daquele templo. "Esta igreja era propriedade da Câmara Municipal, mas foi-nos cedida há cerca de seis anos, já muito debilitada. O problema é que, sozinhos, não temos recursos financeiros para assumir esta reabilitação", admitiu, na ocasião, o padre Armando Dias.

Dada a falta de recursos financeiros da paróquia, será a autarquia a suportar a componente nacional desta candidatura, que visa travar o "avançado estado de degradação" do templo, que por motivos de segurança está fechado há cinco anos.

"As avaliações que foram feitas indicavam que estava em risco de colapso. É uma pena enorme o estado a que chegou, nomeadamente porque no interior tem uma talha riquíssima, frescos do século XVII e duas catacumbas lindíssimas", reconheceu o padre Armando Dias.

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