Mulher e jovem condenados a 25 e 24 anos de prisão por matar idoso

Arguidos tiveram como objetivo furtar objetos de valor e cartões bancários da vítima

O Tribunal de Vila Nova de Gaia condenou esta quarta-feira a 25 e 24 anos de prisão uma mulher e um jovem, respetivamente, por terem roubado e matado um homem de 90 anos neste concelho, em 2017.

Durante a leitura da decisão judicial, o presidente do coletivo de juízes referiu que os arguidos mostraram "enorme frieza" e "forte intensidade na vontade criminosa".

Lembrando que os homicidas usaram uma camisola, almofada e um cinto para matar a vítima, que pela idade era completamente indefeso e vulnerável, o magistrado frisou que o crime foi de uma "grande violência", exigindo uma "elevadíssima necessidade de prevenção geral".

Em audiência, os arguidos tentaram sempre minimizar a sua atuação, considerou o juiz, acrescentando que as declarações não foram coincidentes.

Segundo a acusação, que foi dada como provada, a mulher, de 34 anos, desempregada, conhecia bem o idoso que, por vezes, a ajudava a pagar as contas.

Agindo com o propósito de lhe roubar objetos de valor e cartões bancários, sustenta o Ministério Público, a mulher e o rapaz de 26 anos entraram na casa do homem, que vivia sozinho, e agrediram-no violentamente, provocando-lhe graves lesões que lhe causaram a morte, refere.

Antes, os arguidos apropriaram-se de diversos objetos em ouro e prata, relógios e telemóveis, que depois venderam, e coagiram a vítima a fornecer-lhes os códigos dos cartões multibanco, tendo posteriormente feito 21 levantamentos num total de mais de 4.000 euros, salientou a acusação.

O homem, morto a 11 de abril, só foi encontrado a 17 de abril, amarrado à cama, depois de familiares estranharem a sua falta de notícias.

No início do julgamento, em abril, a mulher confessou que planeou roubar a vítima porque precisava de dinheiro, mas que nunca teve intenção de matar, nem sequer de usar violência, imputando ao outro suspeito a autoria da morte.

A arguida explicou que, no dia do crime, foi a casa do idoso com o arguido e o filho menor, tendo o arguido levado uma faca, taco de basebol e arma sem ela saber. Depois de ameaçarem o homem, obrigaram-no a dar-lhes os códigos dos cartões do multibanco, tendo ela depois saído para confirmar se estavam certos.

No regresso, contou, o homem estava deitado no chão com marcas de sangue e, depois de a ameaçar que a ia denunciar, o coarguido amarrou-o à cama, bateu-lhe e sufocou-o com um cinto.

Apresentando uma versão diferente, o jovem revelou ter conhecido a mulher através do filho desta, de 14 anos, que lhe sugeriu assaltar a vítima mortal para lhe furtar dinheiro.

O ora condenado adiantou que no dia do crime foram os três a casa da vítima mortal e que, depois de revistarem a casa, a arguida apercebeu-se que o homem não tinha lá 5.000 euros, tal como suspeitava, e ficou "aflita, nervosa e alterada", tendo-o levado para o quarto, frisou.

"Enquanto mãe e filho ficaram no quarto com o homem, eu fui revistar a casa, e quando voltei ao quarto ela estava sentada em cima de uma almofada na cara dele e com um cinto ao pescoço, que eu tirei para ver se respirava", relatou.

À saída do tribunal, a advogada da mulher não quis prestar declarações aos jornalistas.

Já a advogada do arguido, Teresa Paula Borges, considerou a pena de 24 anos excessiva, por isso, "muito provavelmente" irá recorrer.

Admitindo estar à espera de uma pena de 20 anos, Teresa Paula Borges entendeu que a violência resultou do momento e das circunstâncias.

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