Ministro diz que exame de Português não será anulado

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, garantiu hoje que o exame de Português do 12.º ano, cuja eventual fuga de informação está a ser investigada, não vai ser anulado.

Segundo o ministro, caso se confirme que houve uma fuga de informação, "o ministério agirá civil, disciplinar e criminalmente contra o seu autor ou autores.

"Se alguém saiu beneficiado por essa fuga de informação, de forma comprovada, obviamente que sofrerá as consequências que estão inscritas nos regulamentos", declarou aos jornalistas, à margem de uma sessão de entrega de prémios do concurso "Conta-nos uma história!", a decorrer hoje na Maia, distrito do Porto.

O ministro disse mesmo que "não está em cima da mesa, nem esteve e nem foi equacionada, a possível anulação da prova".

Para Tiago Brandão Rodrigues, "face a uma denúncia que existiu, fez-se o que devia ser feito, o que tinha que ser feito" e o Ministério da Educação não irá intervir na investigação que decorre relativamente a uma alegada fuga de informação sobre os conteúdos da prova.

"Esta é uma questão que não pode nem deve merecer posições facilitistas ou posições precipitadas", disse, acrescentando ser, neste momento, importante "transmitir aos alunos que têm que, com serenidade e tranquilidade, continuar a sua época de exames".

A Procuradoria-Geral da República informou na sexta-feira que a eventual fuga de informação do exame nacional de Português "deu origem a um inquérito" e "o mesmo encontra-se em investigação no DIAP de Lisboa".

"Confirma-se a receção da participação do IAVE [Instituto de Avaliação Educativa], a qual deu origem a um inquérito. O mesmo encontra-se em investigação no DIAP de Lisboa [Departamento de Investigação e Ação Penal]", disse a PGR em resposta à Lusa.

O jornal Expresso teve acesso a um áudio que circulou nas redes sociais alguns dias antes do exame nacional e que revelava o que ia sair na prova.

Segundo o áudio, a fuga partiu da "presidente de um sindicato de professores".

Na gravação, feita por uma aluna que não se identifica, pode ouvir-se a estudante a dizer: "Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive".

"Pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória e outra sobre a importância dos vizinhos no combate à solidão", acrescenta a aluna na gravação.

Segundo o Expresso, a situação foi denunciada ao Ministério da Educação por Miguel Bagorro, professor na Escola Secundária Luísa de Gusmão, em Lisboa, que teve conhecimento da gravação, através de um aluno a quem dava explicações de Português.

A divulgação do áudio levou o IAVE a anunciar na semana passada que iria remeter para a Inspeção-Geral de Educação (IGEC) e para o Ministério Público informações sobre as alegadas fugas de informação, que teriam acontecido antes da realização do exame nacional do 12.º ano, que decorreu no dia 19.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG