Ministro da Ciência cria grupo de reflexão sobre a FCT

Manuel Heitor quer ouvir comunidade científica sobre a futura direção daquele organismo

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, criou um grupo de reflexão sobre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), cuja missão é definir os princípios orientadores deste organismo, bem como o perfil da sua próxima direção. O grupo, que faz hoje a sua primeira reunião, tem agora 30 dias úteis para apresentar as suas recomendações ao ministro.

A FCT é a agência pública que financia o sector científico e a sua atual direção cessa funções no final do ano. A nova direção, que será escolhida pelo ministro a partir das recomendações feitas pelo grupo de reflexão agora criado, deverá ficar definida, para entrar funções, "daqui a dois ou três meses", adiantou ao DN o ministro.

"O objetivo deste processo é restabelecer a confiança entre FCT e a comunidade científica, que nos últimos tempos via a FCT como um organismo que se opunha a ela e ao trabalho", afirmou Manuel Heitor ao DN, sublinhando que esta é também uma forma de "chamar a comunidade científica a envolver-se mais nos processos para o desenvolvimento científico do país e a corresponsabilizar-se por eles".

O grupo de reflexão, constituído por 30 personalidades, "de todas as regiões do país e de todas as áreas científicas, incluindo de algumas que são geralmente menos divulgadas, como os estudos clássicos, e outras", segundo o ministro, reúne-se hoje pela primeira vez, a partir das 14.30, no Teatro Thalia, em Lisboa. O ministro também estará presente na reunião.

Uma avaliação ao sector científico encomendada pela FCT à European Science Foundation, em 2013, e recentemente concluída, foi muito criticada pela comunidade de investigadores, por falta de transparência, e tornou-se no maior ponto de conflito entre cientistas e FCT nos últimos anos. Mas a irregularidade dos concursos para projetos de investigação e os cortes drásticos no número de as bolsas de formação avançada também não ajudaram. É este afastamento e desconfiança que o ministro Manuel Heitor se propõe sanar, chamando também ao debate os próprios investigadores.

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