Marinha acelera reequipamento individual e de combate dos fuzileiros

Unidade constituída como Força Nacional Destacada para a Lituânia ao serviço da NATO recebeu ontem estandarte nacional.

O regresso das forças de fuzileiros às missões militares no estrangeiro, após anos na sombra das unidades de paraquedistas e comandos, vai levar a Marinha a acelerar o processo de reequipamento das suas forças especiais, disse ontem o chefe do Estado-Maior do ramo ao DN.

"Vamos dar uma grande ênfase" a esse processo, em matéria de "novas armas, maior capacidade de proteção individual, de visão noturna, equipamento de controlo remoto [drones], comunicações, novas capacidades de encriptação", precisou o almirante Mendes Calado, sublinhando que essa opção - no quadro da revisão da Lei de Programação Militar, a realizar este ano - traduz a necessidade de "dar a estas forças outra mobilidade, letalidade e flexibilidade de utilização".

Mendes Calado falava no final da cerimónia de entrega do estandarte nacional à Força de Fuzileiros que, de 15 de maio a 15 de setembro, vai estar ao serviço da NATO na Lituânia, após anos de participação externa do país nessas missões apenas com forças especiais do Exército (paraquedistas e fuzileiros).

O ministro da Defesa, que presidiu à cerimónia, expressou aos jornalistas a importância de projetar uma companhia de fuzileiros como Força Nacional Destacada, dado ser uma força "demasiado competente para não ser empenhada" em representação do país. "Já começámos a colmatar o que era uma ausência que não fazia sentido prolongar", desde logo porque não utilizar as capacidades e competências dos fuzileiros "representa evidentemente algo que desmotiva quem as tem [e] um desperdício" em termos de custo-benefício, argumentou Azeredo Lopes.

Os primeiros elementos da unidade - 117 fuzileiros e 23 militares para apoio logístico - comandada pelo capitão-tenente Esquetim Marques partem domingo para a cidade portuária de Klaipéda. As toneladas de equipamentos (nomeadamente viaturas de reconhecimento, de transporte de pessoal e material ou de comunicações) vão no dia seguinte por via marítima, enquanto o grosso da força deixa Lisboa no dia 15.

Importância do recrutamento

Aumentar a capacidade de atração de jovens para o Corpo de Fuzileiros, bem como de reter os que já estão nas fileiras, é outro efeito realçado ao DN pelo chefe da Marinha.

Estando já previsto o regresso dos fuzileiros à Lituânia em 2019, o almirante Mendes Calado admitiu haver lacunas nessas áreas "por falta dessa oportunidade" de participar em missões no estrangeiro. Ter acompanhado o treino da unidade a enviar para a Lituânia permitiu sentir "o reforço de motivação" daqueles operacionais, que "estão sempre prontos" e cujo treino se rege por "padrões de combate".

"Sentia-se esta apetência de dar continuidade àquilo que era o treino" dessas forças especiais - e de operações especiais, como são os membros do Destacamento de Ações Especiais (DAE) - "para depois ser projetado" para os teatros de operações, observou Mendes Calado. "Estas missões são fundamentais para os fuzileiros e tenho esperança que elas possam continuar no futuro", referiu o chefe do Estado-Maior da Marinha.

"Para o próximo ano já temos mais uma ​​​​​​​perspetiva"de projetar os fuzileiros para a Lituânia, também no âmbito das chamadas Medidas de Tranquilização da NATO junto dos países vizinhos da Rússia, "e espera-se que isso seja uma atitude permanente, por forma a reforçar a capacidade de atrair gente para os fuzileiros e de dar a esta gente, que tem um treino intensíssimo, a oportunidade de mostrar as suas competências nas operações reais", enfatizou ainda o almirante.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG