Marcelo esconde incómodo e aplaude "gratidão" de autarca a Sócrates

Presidente não perdeu mais de 30 segundos à conversa com o ex-primeiro-ministro, mas falou nele no discurso. Para agradecer

Não é comum, mas Marcelo Rebelo de Sousa teve de dividir parte do protagonismo com aquele que tem sido um dos seus maiores críticos: o antigo primeiro-ministro José Sócrates. Estavam na mesma inauguração (o espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta) e até nem fizeram grande esforço para se cruzarem, mas lá houve um cumprimento quase no fim do evento. "Muitos parabéns pelo contributo que deu para esta obra", disse Marcelo numa troca de palavras breve com o antigo governante.

Marcelo destacou que, quando um governante contribui para a realização de uma obra, "as pessoas, e o Presidente da República ainda menos, não podem ser facciosas. Há muita gente que contribui para certas obras. E reconhecer é uma questão de justiça. Não discriminar ninguém."

A chegada de Marcelo ao local não teve habitual aglomerado de câmaras e microfones, pois a grande maioria dos jornalistas estava a ouvir Sócrates a justificar a presença no local. "Foi um convite muito simpático do presidente da câmara de Sabrosa", explicou, acrescentando que tinha o "simbolismo" de ser uma homenagem ao também transmontano Miguel Torga e um "reconhecimento de que o governo que eu liderei esteve ligado a esta obra".

O encontro entre Marcelo e Sócrates foi sendo adiado. Logo à entrada o Presidente preferiu procurar o arquiteto que projetou o edifício: "Não vi ainda Eduardo Souto Moura...". O chefe de Estado iniciou depois a visita à exposição e chegou a estar a cinco metros de Sócrates, mas foram-se evitando. Ambos. Durante o discurso, Marcelo quebrou o gelo já depois do ex-secretário de Estado dos Transportes, Paulo Campos, ter ido buscar um copo de água gelada a José Sócrates, enquanto este ouvia o discurso do Presidente. Marcelo dirigiu-se ao autarca dizendo que "fez bem" em reconhecer a "gratidão" de governantes, como José Sócrates, que ajudaram a construir a obra.

Sócrates tem criticado Marcelo a quem já "chamou de Cavaco 2" e comparou o "alvoroço diário da sua presidência como uma necessidade de querer sublimar a frustração por ter sido afastado da política durante 20 anos". Mas esta tarde, em S. Martinho de Anta (Vila Real) a popularidade foi partilhada. Não foi só Marcelo a ser solicitado para tirar selfies. Sócrates também. E houve quem chorasse no fim quando se cruzou com o ex-primeiro-ministro. Também dividiram aplausos. Quando o autarca de Sabrosa agradeceu a Sócrates, ouviram-se palmas. Marcelo também as teve, após o discurso que fez no local.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG