"As Forças Armadas nunca poderão ser minimizadas ou menorizadas"

Presidente da República presidiu à cerimónia do centenário do Laboratório Militar, onde deixou recado aos que "duvidam da importância do papel do Estado".

"As Forças Armadas, pela natureza própria das suas funções, nunca poderão ser minimizadas ou menorizadas" porque, além das missões primárias, "cumprem missões que suprem" lacunas da sociedade civil, afirmou esta sexta-feira o Presidente da República, em Lisboa.

"Além de servirem Portugal como esteio essencial de sobrevivência, unidade e independência nacionais", sublinhou o Comandante Supremo das Forças Armadas, os militares também "cumprem missões que suprem insuficiências ou debilidades da própria sociedade civil".

Marcelo Rebelo de Sousa intervinha na cerimónia comemorativa dos 100 anos de criação do Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos (LMPQF), que condecorou como membro honorário da Ordem Militar de Avis.

Falando momentos após o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, ter lembrado que o LMPQF só não foi extinto pelo governo anterior porque o então presidente Cavaco Silva se opôs, Marcelo Rebelo de Sousa deixou um recado aos que "duvidam da importância do papel do Estado", seja por "apelo liberal ou por preocupação desestatizadora".

"Este século é um exemplo eloquente" de como "é fundamental uma intervenção" como a do LMPQF, desde logo porque produz medicamentos abandonados que o mercado já não quer ou consegue fabricar, e como as Forças Armadas têm um "papel único e insubstituível" no quadro da Defesa Nacional, enfatizou o Chefe do Estado, que depois inaugurou o BioBanco.

O BioBanco resulta de uma parceria com o Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses e destina-se a permitir a identificação dos militares quando os elementos tradicionais para esse efeito não o possibilitem.

Azeredo Lopes assinalou a "feliz coincidência" de esta sexta-feira ter sido publicado o despacho conjunto entre os ministérios da Defesa e da Saúde para potenciar o trabalho do LMPQF no apoio às instituições do Serviço Nacional de Saúde.

O governante frisou ainda que o papel de "reserva estratégica" do Laboratório Militar para garantir a autonomia do Estado em matéria de produção e armazenamento de medicamentos, bem como apoiar a ação externa do país nesse domínio junto de países terceiros como São Tomé e Princípe.

A diretora do LMPQF, coronel farmacêutica Margarida de Sá Figueiredo, evocou o papel do laboratório no apoio aos hospitais, ao Corpo Expedicionário Português que participou na I Grande Guerra e aos que estiveram envolvidos na guerra colonial, bem como atualmente aos das Forças Nacionais Destacadas, ou ainda na investigação, desenvolvimento e produção de medicamentos.

Depois lembrou que há três crianças hospitalizadas, no Porto e em Gaia, que estão a ser tratadas com um medicamento fabricado no LMPQF e que não existe sequer no mercado europeu.

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