Mais professores, aulas e alunos no ensino português em Timor

Educação. Cooperação no país, que já abrange 13 polos e a escola de Díli, chega ao 3.º ciclo de escolaridade e implica mais contratações

Quando o ano letivo arrancar em Timor-Leste, no próximo mês de janeiro, as escolas portuguesas que integram a rede do projeto CAFE (Centros de Aprendizagem e Formação Escolar), terão pela primeira vez centenas de alunos matriculados no 7.º ano de escolaridade, alargando uma oferta desde o pré-escolar que já abrange perto de 6000 estudantes.

O alargamento ao 3.º ciclo é a principal novidade daquele que, apesar de alguns contratempos, tem sido um dos mais bem sucedidos projetos da cooperação portuguesa com este país, e vai implicar o recrutamento de dezenas de professores adicionais, estando já a correr um concurso através da Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE).

Ao DN, o Ministério da Educação explicou que o atual concurso abrange "um total de 30 vagas imediatas e 160 em Bolsa de Reserva". Estes docentes irão juntar-se aos 130 que estão já de serviço em Timor, com o estatuto de "agentes de cooperação", cujos contratos anuais foram renovados. A maioria das vagas destina-se precisamente a dar cobertura a disciplinas do 3.º ciclo, nomeadamente: Português, Inglês, História, Matemática, Física e Química e Biologia e Geologia.

O projeto CAFE abrange atualmente 13 centros espalhados pelos diferentes distritos do país. Com um protocolo recentemente renovado por quatro anos, veio substituir o antigo projeto Escolas de Referência, que pretendia criar polos distritais da Escola Portuguesa de Díli, inaugurada em 2002, ano da independência do País.

Esta expansão atesta a boa aceitação do modelo português, que inevitavelmente conduzirá à cobertura, pela cooperação portuguesa, de toda a escolaridade até ao 12.º ano, atualmente apenas existente no estabelecimento de Díli. De resto, os docentes portugueses contratados têm a dupla função de dar aulas e servir de mentores a professores locais.

No entanto, nem tudo tem corrido bem com a experiência. No ano passado, além de atrasos na abertura de dois centros, por falta de verbas, houve problemas como os vencimentos dos docentes.

Os professores contratados recebem um salário equivalente ao 1.º escalão da carreira docente portuguesa (entre 1071 e 1194 euros, dependendo do número de filhos que têm), pago pelo Estado português, que é acrescido de um subsídio de mil dólares (917 euros)por cada mês de trabalho, assumido pelas autoridades de Díli. Em 2015, houve atrasos na componente timorense, que levaram alguns dos professores portugueses a queixarem-se de estarem a viver situações insustentáveis. A situação acabou por ser desbloqueada, depois de o próprio ex-presidente timorense, Ramos Horta, ter intervido.

Espalhados pelo mundo

O ensino português está espalhado por todo o planeta. O Ministério da Educação tem ainda a seu cargo, com gestão e recrutamento local, escolas portuguesas em Angola (duas), Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Macau.

Já o ensino português no estrangeiro (EPE), que serve a diáspora (emigrantes e lusodescendentes) é tutelado desde há alguns anos pelo Instituto Camões.

Ao DN, esta instituição explicou que conta atualmente com "312 professores da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário" - menos dois do que no ano passado - além de "49 leitores da rede de ensino superior e organismos internacionais".

Alemanha, Espanha, Andorra, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Reino Unido, Suíça, África do Sul, Namíbia, Suazilândia e Zimbabué são os países servidos pelos docentes desta rede, que está ainda presente, através dos leitores, em países como os Estados Unidos da América, Luxemburgo, Quénia, Tailândia, Cuba, Tunísia, Índia e Canadá.

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