Mais de 80% dos alunos do 8.º ano falham nas ciências e físico-química

Matemática e Ciências Naturais são pontos fracos no 5.º ano, Leitura e Escrita o problema no 2.º ano

As áreas das Ciências Naturais e Físico-Química, do 8.ºano, foram aquelas em que os alunos mais dificuldades revelaram nas provas de aferição deste ano, com mais de 80% dos avaliados a responderem com dificuldades ou a não conseguirem de todo dar uma resposta apropriada às questões colocadas.

O dado consta do relatório sobre as provas de aferição, apresentado esta quinta feira aos jornalistas pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, e por Helder de Sousa, diretor do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pelos testes.

No conjunto das provas de aferição dos 2.º , 5.º e 8.º anos , realizadas por mais de 300 mil alunos, foram ainda destaques pela negativa História, Matemática e Ciências Naturais, no 5.º ano, com mais de 50% dos alunos a revelarem dificuldades para responder na maioria dos domínios avaliados. Entre estas, na História, o período referente a Portugal do século XIII ao século XVII revelou-se particularmente problemático, com níveis abaixo do satisfatório em 80% dos casos.

Pela positiva destacaram-se os domínios em áreas que incidiram em avaliações mais práticas. Apesar da polémica suscitada pela realização de provas de aferição das Expressões Físico-Motoras e Expressões Artísticas, o desempenho global dos alunos foi considerado satisfatório. Dentro destas áreas, os domínios menos bem conseguidos - ainda assim com taxas de sucesso de 60% - foram a Expressão e Educação Musical e os Jogos Infantis.

"Deve inquietar-nos a todos"

Comentando as fragilidades reveladas pelas provas, João Costa assumiu que "ninguém pode ficar tranquilo quando tem um conjunto alargado de alunos que não está a aprender com qualidade. isto deve inquietar-nos a todos", considerou.

No entanto, o secretário de Estado defendeu também que estes indicadores acabam por justificar a decisão do governo de antecipar as provas para o meio dos ciclos - em vez do final - e de diversificar as disciplinas avaliadas. "Não vamos esperar pelo fim do ciclo para ver o que falhou. Vamos tentar atuar mais cedo no percurso, para atuar sobre as dificuldades destes alunos", disse.

"A grande vantagem destas provas é que nos permitem acrescentar valor [à formação dos alunos]", concordou Helder Sousa.

Atuação, revelou João Costa , passa por várias frentes, desde logo pelo investimento em ensino experimental (mais prático), que passa pelo reforço e diversificação da formação contínua dos professores mas também pela entrega às escolas de s "kits" de trabalho experimental para utilização pelos professores e, no caso das ciências, pelo alargamento da rede de clubes Ciência Viva.

Já em relação à carga letiva das disciplinas, João Costa considerou que os resultados mostram que "não foi por ter havido um aumento de horas aqui ou ali ou uma redução aqui ou ali que os dados se alteraram", defendendo que a aposta será cada vez mais em dar às escolas autonomia para gerirem parte dos seus currículos em função das dificuldades específicas e dando o exemplo da experiência de flexibilização curricular em curso.

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