Juíza do caso Bárbara/Carrilho pede escusa

A juíza refutou as acusações de parcialidade na resposta ao incidente de recusa que foi interposto pelo Ministério Público e por Bárbara Guimarães

Segundo o Expresso, a juíza disse que as suas palavras foram mal interpretadas argumentando que apenas queria mostrar a Bárbara Guimarães "que devia ter apresentado queixa atempadamente porque senão a justiça fica de mãos atadas".

A juíza Joana Ferrer disse também que as "provas no processo são frágeis" e que se falou assim foi porque "quis manter um registo mais familiar". Lembrou mesmo que até tratou Bárbara Guimarães por "querida".

O Ministério Público, no incidente de recusa, considerou existir motivo "sério e grave, adequado a gerar desconfiança sobre a imparcialidade da magistrada judicial".

A Associação de juristas considerou que a magistrada fez uso de "pré-juízos desconformes com o legalmente estipulado"

"Confesso que estive a ver fotografias do vosso casamento e tudo parecia maravilhoso. Parece que o Professor Carrilho foi um homem, até ao nascimento da Carlota [a segunda filha do casal], e depois passou a ser um monstro. Ora o ser humano não muda assim"; "Causa-me alguma impressão a atitude de algumas mulheres vítimas de violência, algumas das quais acabam mortas. A senhora procuradora diz que não tem que se sentir censurada. Pois eu censuro-a! É que se tinha fundamento para se queixar, devia tê-lo feito"; "Mas nunca pensou ir ao hospital?" (Resposta de Bárbara Guimarães: "Não, tive vergonha.") "Com tanta divulgação, tanto apoio que se criou para a violência doméstica? Tenha paciência, esse argumento é fraquinho"; "Ó Bárbara, causa-me nervoso ver mulheres informadas a reagirem assim. Se tinha fundamento, devia ter feito queixa."

Estas frases, atribuídas nos media a Joana Ferrer, a juíza do Tribunal Criminal de Lisboa que preside ao caso em que Manuel Maria Carrilho é acusado de violência doméstica contra a ex-mulher, Bárbara Guimarães, e que terão sido ditas na primeira sessão do julgamento, na passada sexta, levaram a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas a exarar, esta tarde, um comunicado em que expressa "a sua preocupação pelo que estas revelam sobre a persistência de pré-juízos desconformes com o legalmente estipulado sobre o modo de agir com vítimas de violência doméstica."

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